Perfis, articulações e desafios dos outsiders da direita que buscam vagas no Senado em 2026, em uma disputa decisiva com renovação de dois terços do Senado (54 vagas)
As eleições de 2026 são vistas por lideranças da direita como oportunidade para ampliar a bancada no Senado e, segundo aliados, formar uma maioria capaz de frear decisões do Supremo Tribunal Federal, com renovação ampla da Casa.
Partidos e caciques já articulam pré-candidaturas de figuras fora da política tradicional, os chamados outsiders da direita, vindos do Judiciário, do empresariado, das forças de segurança e do ativismo conservador.
Na sequência, veja perfis dos principais nomes que já anunciaram pré-candidatura ou que são cotados, com apoios, críticas públicas e principais obstáculos a serem superados, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Ex-magistrados e juristas que trocam a toga pela política
Sebastião Coelho é um dos casos mais emblemáticos. Ex-desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, renunciou ao cargo de vice-presidente do TRE-DF em protesto contra a posse de Alexandre de Moraes no TSE, afirmando que o ministro teria feito uma “declaração de guerra ao país”. Após se aposentar, atuou como advogado na defesa de réus ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023 e, em sustentação oral no STF, chegou a dizer que os ministros são “as pessoas mais odiadas do país”. Filiado ao Novo em maio, lançou pré-candidatura em dezembro.
Jeffrey Chiquini, advogado criminalista, ganhou visibilidade por defender réus dos atos de 8 de janeiro, em especial Filipe Martins, e por embates públicos com ministros do STF. Filiado ao Novo em 2025, tem evitado confirmar candidatura, mas suas críticas à Corte e desentendimentos com outras pré-candidaturas da direita já indicam disputa pelos mesmos eleitores.
Nomes do PL e aliados de Bolsonaro na ofensiva
O Partido Liberal articula diversos nomes alinhados ao ex-presidente, em estados-chave. Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, é citada como opção ao Senado pelo Distrito Federal e percorre estados organizando eventos de filiação e apoio feminino, mesmo com especulações anteriores sobre candidaturas à Presidência ou à vice, opção que perdeu força após a indicação de Flávio Bolsonaro à candidatura presidencial.
Em Minas, o ex-ministro da Economia Paulo Guedes foi convidado por Jair Bolsonaro a disputar vaga ao Senado, e o próprio ex-presidente disse, em declaração pública, “Gostaria que o Paulo Guedes aceitasse ser senador por Minas Gerais. Estamos tentando. É um baita nome para o Senado”. Guedes, porém, tem sinalizado falta de interesse em cargos públicos, embora recentemente tenha demonstrado abertura, segundo aliados.
Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, tem apoio do ex-presidente para disputar vaga por Pernambuco, mas enfrenta resistência interna no PL local e já afirmou que pensa em mudar de partido para viabilizar a candidatura, ao criticar a oposição ao seu nome como falta de respeito à “hierarquia” sob o comando de Bolsonaro.
Militares, agronegócio e influenciadores como opção regional
Em São Paulo, aliados estudam candidaturas que representem o núcleo duro bolsonarista. O coronel reformado da Polícia Militar Mello Araújo, atual vice-prefeito de São Paulo, foi escolhido por Bolsonaro como vice na chapa de Ricardo Nunes em 2024 e já aparece como possível nome do PL para o Senado paulista. Sua carreira inclui comando da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar e presidência da Ceagesp.
No Norte, o produtor rural Bruno Scheidt, presidente do PL Rondônia, conta com aval do ex-presidente e de Michelle, e tenta se tornar opção do agronegócio no estado, embora ainda seja pouco conhecido pelo eleitorado local. No Espírito Santo, Magda “Maguinha” Malta, ativista conservadora e vice-presidente do PL no estado, é pré-candidata ao Senado e tem o apoio público do pai, o senador Magno Malta, que chegou a dizer que as próximas eleições poderiam permitir “o Senado ter um pai e uma filha sentados juntos no mesmo lugar”.
Jornalismo, novas vozes e a disputa por votos da direita
Figuras da mídia e da nova política também se movimentam. A jornalista Cristina Graeml foi ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Curitiba, obtendo 42,36% dos votos em seu primeiro embate eleitoral, e após migração para o União manifestou intenção de disputar o Senado pelo Paraná. A competição estadual deve ser acirrada, com nomes como Filipe Barros e Deltan Dallagnol na mesma ala ideológica.
O comentarista Marco Antônio Costa anunciou intenção inicial de concorrer por Minas Gerais, mudou residência para negociar com lideranças do PL, e depois informou retorno a São Paulo, anunciando pré-candidatura pelo estado paulista. Em rede social, afirmou textualmente, “Houve uma sinalização do presidente Bolsonaro para São Paulo com o meu nome, sem ter nada garantido. Não estou falando que sou o candidato do Bolsonaro, mas houve uma sinalização clara que não vou continuar em Minas e estou seguindo a sinalização de voltar para São Paulo e estou colocando meu nome como pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo”.
Há ainda espaço para embates internos entre nomes da mesma base, como a troca de farpas entre Cristina Graeml e Jeffrey Chiquini, que acusou a jornalista de ter “vestido a farda do Centrão”, e a resposta de Cristina, que classificou a declaração como difamação, dizendo “Imagino que é porque ele quer entrar na mesma disputa política em que estou”.
O cenário mostra, portanto, uma ofensiva organizada por setores da direita para preencher vagas que renovam dois terços da Casa, com uma mistura de figuras tradicionais, ex-governistas e outsiders. A disputa nacional envolverá estratégias regionais, capacidade de mobilização partidária e debates sobre a finalidade de uma eventual maioria no Senado, lembrando que o mandato no Senado é de oito anos e que a renovação excepcional de 54 cadeiras torna 2026 uma eleição de alto impacto político.