Ex-líder colombiano Álvaro Uribe defende ação internacional para derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela, gerando debate com o presidente Petro.
O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, declarou apoio a uma eventual intervenção dos Estados Unidos com o objetivo de remover Nicolás Maduro do poder na Venezuela. Uribe classificou Maduro como um “usurpador” e criticou a falta de ação da Organização das Nações Unidas (ONU) diante da crise venezuelana.
Segundo o ex-mandatário, Nicolás Maduro foi destituído do cargo em julho passado, após os resultados de eleições, e por isso, é considerado um usurpador. Uribe argumenta que as Forças Armadas venezuelanas falharam ao não cumprir a Constituição do país.
“Sou a favor de fazer todo o possível para garantir que a Venezuela reconheça a vitória de Edmundo González e María Corina Machado e instale o Dr. Edmundo González como Presidente”, afirmou Uribe em entrevista ao jornal colombiano Semana. A declaração surge em meio a crescentes pressões sobre o governo de Maduro.
Uribe critica a ONU e pede ação internacional para Venezuela
Álvaro Uribe Vélez também expressou sua decepção com a postura da ONU, considerando preocupante a falta de mobilização da organização em conjunto com Washington para encerrar o que ele chama de “regime ilegítimo de Caracas”.
“Acredito que a prioridade máxima deveria ser o trabalho inteligente que as Nações Unidas deveriam estar realizando. É preocupante que a ONU não esteja envolvida”, insistiu Uribe. Ele defende que a organização seja “muito incisiva” na exigência de uma transferência de poder e no fim da “usurpação do poder contra a democracia venezuelana”.
Trump eleva tom contra Maduro e fecha espaço aéreo venezuelano
Em paralelo às declarações de Uribe, o governo americano, sob a liderança de Donald Trump, aumentou a pressão sobre a Venezuela. Trump anunciou que o espaço aéreo sobre e ao redor do país deve ser considerado “completamente fechado”, dirigindo um alerta a companhias aéreas.
“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: por favor, considerem que o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela permanecerá totalmente fechado. Obrigado pela atenção!”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social. Essa medida faz parte de uma estratégia para intensificar o cerco militar sobre Maduro.
Petro contesta Trump e questiona norma internacional
O atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, manifestou sua discordância com as novas declarações de Trump. Petro questionou a legalidade de um presidente estrangeiro fechar o espaço aéreo de outra nação, citando o direito internacional.
“Quero saber, sob qual norma do direito internacional um presidente de um país estrangeiro pode fechar o espaço aéreo de outra nação?”, indagou Petro em uma publicação no X, destacando que falava como presidente da Colômbia e presidente pro tempore da Celac. A Venezuela, por sua vez, reagiu ao anúncio de Trump, classificando-o como uma “ameaça explícita de uso da força”, proibida pela Carta das Nações Unidas.
Regime de Maduro considera ações dos EUA como “tentativa de intimidação”
O regime chavista divulgou um comunicado oficial através do Ministério das Relações Exteriores, onde considera as afirmações de Trump como uma “ameaça explícita de uso da força”. A nota oficial reforça que tal ação é “proibida de forma clara e inequívoca” pela Carta das Nações Unidas, e classifica a medida como uma “tentativa de intimidação” contra a Venezuela.
A escalada retórica e as ações militares enviadas pelos EUA para o Caribe, incluindo o porta-aviões mais avançado do mundo, demonstram a intensificação da pressão sobre Nicolás Maduro e seus aliados. A situação na Venezuela continua a gerar tensões regionais e internacionais significativas.