Lei torna festa da Revolução Acreana do bairro 6 de Agosto patrimônio imaterial de Rio Branco
A Prefeitura de Rio Branco sancionou uma nova lei que declara a festa do bairro 6 de Agosto como patrimônio imaterial do município. Esta normativa reconhece as manifestações culturais tradicionais do bairro, um dos mais antigos da capital, como parte integrante do patrimônio da cidade.
A legislação estabelece que o município deve implementar políticas públicas voltadas para a preservação e valorização dessas tradições. Isso inclui a criação de editais, fomento a pesquisas, desenvolvimento de programas culturais e outras iniciativas que garantam a perpetuação das manifestações.
O objetivo principal é assegurar que a tradição permaneça viva e devidamente registrada, mantendo as práticas ligadas à memória da Revolução Acreana e à formação da comunidade local. Conforme divulgado pelo G1, o reconhecimento consolida uma tradição que atravessa décadas e está intrinsecamente ligada à formação do bairro.
Um Bairro com História e Tradição
O bairro 6 de Agosto, fundado há 121 anos no Segundo Distrito, tem seu nome diretamente ligado à data de início da Revolução Acreana. A região, criada apenas dois anos após o começo do conflito, é palco de uma das festas mais antigas da cidade.
Por cerca de 40 anos, a comunidade do 6 de Agosto organiza uma programação especial que inclui desfile cívico, atividades culturais diversas, jogos tradicionais e ações comunitárias. Esses eventos mobilizam os moradores e fortalecem os laços locais, celebrando a identidade do bairro.
A rua principal da região é considerada uma das mais antigas do Acre, o que reforça ainda mais o valor histórico da celebração. Ao longo do tempo, a festa se tornou um símbolo de pertencimento e resistência para os moradores.
A Ligação com a Revolução Acreana
A escolha do dia 6 de agosto para a festa não é por acaso. Em 6 de agosto de 1902, há 123 anos, iniciaram-se os confrontos que definiram a Revolução Acreana. Este movimento foi liderado por brasileiros que residiam na região e lutavam contra o domínio boliviano sobre o território.
A disputa pelo controle da exploração do látex motivou o conflito, atraindo migrantes do Nordeste para a área conhecida como “Aquiry” desde a década de 1870. Os combates se estenderam até 1903, culminando na incorporação do Acre ao Brasil através do Tratado de Petrópolis.
Curiosamente, a data da Revolução Acreana coincide com o dia da independência boliviana. Essa coincidência estratégica auxiliou as tropas acreanas, permitindo uma surpresa inicial contra as forças adversárias. A festa do 6 de Agosto, portanto, é um tributo a este importante marco histórico e à **resistência do povo acreano**.
Preservação e Continuidade das Tradições
A nova lei sancionada pelo município visa não apenas reconhecer, mas também garantir a continuidade dessas manifestações culturais. As políticas públicas deverão assegurar que as **práticas culturais e a memória da Revolução Acreana** sejam transmitidas às futuras gerações.
A iniciativa reforça a importância de bairros como o 6 de Agosto para a **formação da identidade de Rio Branco**. O reconhecimento como patrimônio imaterial é um passo fundamental para a preservação de um legado histórico e cultural único.