Ministra Cármen Lúcia defende a urna eletrônica e a confiança no sistema eleitoral brasileiro, mas jornalista Alexandre Garcia pede mais transparência e provas concretas.
A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, expressou recentemente a necessidade de **fé cega** no sistema de votação eletrônica brasileiro. Durante uma sessão em 19 de novembro, a ministra enfatizou que todas as etapas da eleição, desde o registro do voto na urna até a apuração e totalização, passam por rigorosas verificações, garantindo, em sua visão, a **confiança absoluta no sistema brasileiro**, que segundo ela, é um modelo para o mundo.
No entanto, a perspectiva de Cármen Lúcia contrasta com o ceticismo natural de um jornalista. A busca por **provas sólidas** é um pilar para quem não confunde fé com informação. A ministra detalhou os processos de verificação, assegurando que cada voto depositado pelo eleitor será devidamente apurado e somado. Essa garantia, contudo, não aplaca a necessidade de comprovação tangível.
A Justiça Eleitoral afirma que apenas 16 países acompanham o Brasil em sistemas sem comprovante impresso, com alguns indicando que esse número pode ser ainda menor, limitando-se a países como Butão e Bangladesh. A necessidade de um **comprovante impresso** para conferência em caso de dúvidas já foi aprovada no Congresso Nacional diversas vezes, com propostas de diferentes espectros políticos, incluindo figuras como Flávio Dino e Leonel Brizola. A ideia é garantir que o eleitor tenha certeza de que seu voto foi corretamente registrado e computado.
A necessidade de comprovação para a confiança do eleitor
A falta de um comprovante impresso gera questionamentos sobre a capacidade do eleitor comum, com menos familiaridade com os sistemas, de ter certeza sobre a apuração de seu voto. A preocupação é que, sem um meio de verificação pessoal, a confiança no sistema se torne um ato de fé, em vez de um resultado de transparência comprovada. Tribunais superiores europeus, por exemplo, já consideram a necessidade de o eleitor entender e ter confiança na apuração.
A jornalista destaca que em sistemas de votação digitais, como o utilizado na eleição da Aprosoja, um **papelzinho cai ao lado** para conferência em caso de dúvida. Essa prática ilustra a importância de ter um mecanismo de auditoria acessível ao cidadão, eliminando margens para incertezas sobre a integridade do processo eleitoral. A intenção da ministra é louvável, mas a ausência de provas concretas gera desconfiança.
Caminhos menos seguros no trânsito: A redução das horas de autoescola
Em outro tópico de preocupação, o jornalista Alexandre Garcia comentou a recente resolução que **diminui drasticamente as horas de aula exigidas em autoescolas** para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A exigência caiu para apenas duas horas, e não necessariamente em autoescolas tradicionais, podendo ser com instrutores credenciados.
Garcia expressa receio de que essa medida possa **aumentar o número de acidentes de trânsito**. Ele argumenta que, mesmo com a formação completa em autoescolas, muitos condutores já demonstram dificuldades em ações básicas, como sinalizar com antecedência a mudança de direção. A seta, segundo ele, deve ser um reflexo automático para alertar outros motoristas, pedestres e ciclistas sobre as intenções do condutor.
O Brasil e o tráfico de drogas: uma commodity surpreendente e preocupante
Uma revelação alarmante foi trazida à tona pelo ministro do STF, André Mendonça. Em conversa com o embaixador dos Estados Unidos, quando ocupava o cargo de ministro da Segurança Pública e Justiça, Mendonça foi questionado sobre a **terceira commodity de exportação do Brasil**. A resposta do embaixador foi direta: **droga**.
Essa informação, que coloca o tráfico de drogas no pódio das exportações brasileiras, ao lado de minério de ferro e soja, ganha ainda mais relevância no contexto atual. Com Donald Trump focando na contenção da entrada de drogas nos EUA e a crescente preocupação internacional com as facções criminosas atuando na Amazônia brasileira, a declaração expõe uma faceta sombria da realidade nacional. A presença de grupos criminosos estrangeiros na região amazônica, enquanto o Brasil discursa sobre soberania, é um tema de profunda gravidade.
A atuação dessas facções, muitas delas mexicanas, peruanas, colombianas e venezuelanas, dentro do território brasileiro, representa um **desafio imenso para a soberania** e a segurança do país. A COP, evento que trouxe à tona essa questão, evidenciou que o problema vai além do discurso e exige ações concretas e eficazes para combater o narcotráfico e a influência do crime organizado.