Tarcísio de Freitas Renova Comando da Segurança Pública e Debate Lei Orgânica em Movimentação Estratégica para 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), promoveu uma significativa alteração no comando da Secretaria de Segurança Pública do estado. A mudança ocorre em um momento crucial, a menos de um ano das eleições de 2026, com o objetivo de conter insatisfações internas, especialmente entre as forças policiais, e preservar a imagem da pasta, área vital para o debate eleitoral.
A saída de Guilherme Derrite (PP), coronel da Polícia Militar que deixou o governo para focar em sua pré-candidatura ao Senado, abriu espaço para a nomeação de um delegado da Polícia Civil. Essa decisão, somada à retomada das discussões sobre a nova Lei Orgânica da Polícia Civil, é vista como uma tentativa de desmobilizar protestos e evitar desgastes políticos para o governador.
As movimentações foram confirmadas após meses de críticas de entidades representativas da Polícia Civil, que alegavam uma gestão voltada aos interesses da Polícia Militar. A nomeação de Nico Gonçalves, delegado, busca amenizar essas tensões e reabrir um canal de diálogo cobrado desde o início do ano. As informações são do portal Gazeta do Povo.
Substituição na Segurança Pública: Um Aceno à Polícia Civil
A escolha de Nico Gonçalves para liderar a Secretaria de Segurança Pública foi interpretada como um gesto em direção à Polícia Civil. Entidades da categoria vinham manifestando insatisfação com a gestão anterior, que consideravam parcial. A expectativa é que a nova liderança promova um diálogo mais equilibrado e atenda às demandas históricas da corporação.
Apesar da esperança gerada pela troca, uma reunião realizada nesta terça-feira (2) entre a gestão Tarcísio de Freitas e entidades da Polícia Civil foi classificada como frustrante. O Fórum Resiste Polícia Civil de São Paulo, que representa cerca de 45 mil policiais, afirmou que nenhuma das demandas foi atendida.
Frustração com Diálogo e Proposta de Subsídio Geram Tensão
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) e fundador do Fórum Resiste, André Santos Pereira, criticou a reunião. Segundo ele, o governo não apresentou a minuta da nova Lei Orgânica, apenas slides genéricos. A proposta de substituir o atual modelo salarial por um subsídio também foi duramente criticada.
“Pela leitura que fizemos do cenário, do orçamento e da estrutura jurídica adotada em outras carreiras no estado, o que o governo pretende é uma reforma administrativa no modelo remuneratório dos policiais civis e uma granada no nosso bolso”, declarou Santos Pereira após o encontro. As entidades aguardam desde o início do ano por um retorno concreto sobre a Lei Orgânica.
Governo Afirma Revisão Final da Lei Orgânica e Destaca Investimentos
Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública do governo de São Paulo informou, em nota enviada à Gazeta do Povo, que a proposta da nova Lei Orgânica da Polícia Civil está em fase de revisão técnica final e será enviada à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) assim que concluída. O governo alega que o texto foi elaborado com a participação de representantes da categoria.
A gestão Tarcísio de Freitas também ressaltou medidas de valorização profissional, como um reajuste salarial médio acumulado de 25,2% entre 2023 e 2025 e a nomeação de mais de 4 mil policiais civis, o que seria a maior contratação da história da corporação. Investimentos em infraestrutura, tecnologia e equipamentos, como a entrega de 39 mil coletes balísticos e a aquisição de 2,6 mil viaturas, também foram destacados.
Operação “Cumpra-se a Lei” como Forma de Pressão
Diante da falta de avanços concretos, o Fórum Resiste anunciou o início da operação “Cumpra-se a Lei”. A mobilização consiste no cumprimento estrito dos deveres funcionais, sem tolerância para sobrecarga ou acúmulo de funções. O objetivo é pressionar o governo a atender às demandas da categoria.
Será aberto um canal de denúncias para que policiais relatem irregularidades, como jornadas excessivas e más condições de trabalho. A ação prevê o rigoroso cumprimento de normas legais já existentes, como as condições mínimas de funcionamento de viaturas e delegacias, além da jornada semanal de 40 horas. A segurança pública continua sendo um tema sensível para o governo, e a insatisfação das entidades pode gerar ruídos significativos para a imagem de Tarcísio de Freitas em 2026.