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Gripe Aviária H5N1: Pandemia de IAAP pode ser pior que a Covid-19? Entenda o risco e o plano da Europa para evitar o pior

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Gripe Aviária H5N1: Especialistas alertam para risco de pandemia mais grave que a Covid-19 e Europa já traça plano de emergência

A ameaça de uma nova pandemia global paira no ar, e desta vez o vilão pode ser o vírus da gripe aviária H5N1. Especialistas alertam que uma mutação que permita a transmissão do H5N1 entre humanos poderia desencadear uma crise de saúde pública significativamente pior do que a vivenciada com a Covid-19. A preocupação reside na alta letalidade do vírus, que pode afetar pessoas saudáveis, e na falta de imunidade populacional preexistente.

Embora o risco de uma pandemia de gripe aviária seja considerado baixo no momento, a possibilidade de adaptação do vírus a mamíferos, incluindo humanos, é um cenário que exige atenção e preparo. A população mundial não possui anticorpos contra a linhagem H5, diferentemente das gripes sazonais comuns. A Europa já está se adiantando, com planos de contingência sendo elaborados para mitigar os impactos de uma eventual disseminação em larga escala.

O Brasil, que recentemente enfrentou um foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em aves comerciais, sentiu os reflexos no mercado internacional, com suspensão temporária de importações de carne de frango por diversos países. Apesar de o país ter sido declarado livre da enfermidade em granjas comerciais, a vigilância continua sendo fundamental. Conforme informações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em 20 anos, mais de 633 milhões de aves morreram ou foram abatidas devido à gripe aviária.

O H5N1 e a ameaça de uma pandemia mais severa

Marie-Anne Rameix-Welti, chefe do Centro de Infecções Respiratórias do Instituto Pasteur, na França, expressou sua preocupação com o potencial pandêmico do H5N1. Diferente do coronavírus da Covid-19, os vírus da gripe, incluindo o H5N1, podem causar quadros graves e fatais em indivíduos saudáveis, sem restrição a grupos de risco. Essa característica, aliada à falta de imunidade natural na população contra essa cepa específica, eleva o nível de alerta.

A pesquisadora destacou que o temor é que o vírus se adapte à transmissão entre humanos. “O que tememos é que o vírus se adapte aos mamíferos, e particularmente aos humanos, tornando-se capaz de transmissão de pessoa para pessoa”, afirmou Rameix-Welti à agência Reuters. Ela classifica o H5N1 como a maior ameaça pandêmica atual, prevendo que uma pandemia causada por ele seria “bastante grave, potencialmente até mais grave do que a pandemia que vivenciamos”.

Histórico de surtos e a preocupante transmissão em mamíferos

Desde a identificação da linhagem H5Nx na China em 1996, o mundo tem testemunhado diversas ondas de transmissão intercontinental do vírus. A OMSA reporta que, entre 2005 e 2024, a IAAP causou a morte ou o abate de 633 milhões de aves. No período de setembro do ano passado a outubro deste ano, foram registrados 1.896 surtos em aves silvestres em 54 países, e 1.399 ocorrências em aves domésticas ou de criadouro em 52 territórios.

Os casos em humanos, embora menos comuns, são alarmantes. Os primeiros diagnósticos ocorreram em 1997, em Hong Kong, com 18 infectados e seis mortes. Desde então, a OMSA contabiliza mais de 2,5 mil transmissões de aves para humanos de vários subtipos da gripe aviária. Especificamente para o H5N1, de 976 casos humanos confirmados até maio deste ano, 470 resultaram em óbito, o que representa uma **taxa de letalidade de 48%**.

Um sinal ainda mais preocupante é o aumento expressivo de infecções por H5N1 em mamíferos silvestres e domésticos desde 2022. Este ano, a OMSA classificou a IAAP em bovinos como doença emergente, com mais de mil ocorrências confirmadas nos Estados Unidos em gado leiteiro e centenas em outros mamíferos. Essa transmissão entre mamíferos sugere que o vírus está se adaptando, aumentando o risco de salto para humanos.

Europa se prepara para o pior cenário de pandemia de gripe aviária

Diante do crescente risco, a Europa está agindo proativamente. Ministros da saúde europeus receberam um documento do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) com recomendações para se preparar para uma possível pandemia de gripe aviária em humanos. O plano inclui medidas como o aumento da capacidade hospitalar, incentivo ao uso de máscaras e o isolamento de pessoas doentes.

O documento do ECDC, consultado pelo The Telegraph, enfatiza que a persistente circulação global de vírus da gripe aviária, especialmente o H5N1, entre aves e mamíferos, aumenta a preocupação com a transmissão zoonótica. Apesar de a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) considerar o risco de mutação para transmissão entre humanos “muito baixo”, o ECDC ressalta que a gripe aviária representa uma **séria ameaça à saúde pública** devido aos surtos generalizados em animais.

Edoardo Colzani, Chefe da Divisão de Vírus Respiratórios do ECDC, afirmou que, embora o risco atual para a população europeia seja baixo, a vigilância e a preparação são essenciais. A Europa busca, com este plano, antecipar-se a uma potencial crise, garantindo que medidas eficazes sejam implementadas antes que o vírus H5N1 possa desencadear uma pandemia de grande escala entre a população humana.

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