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As Últimas Palavras de John Lennon: O Pai Caseiro que Amava a Rotina Familiar Antes da Tragédia

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John Lennon, o Pai Dedicado: Uma Entrevista Íntima Revela Seus Últimos Dias

Horas antes de ser tragicamente assassinado em 8 de dezembro de 1980, John Lennon concedeu uma entrevista à revista Rolling Stone que pintou um retrato surpreendente de um homem mudado pela paternidade e pela vida doméstica. Longe dos holofotes constantes, Lennon se mostrava um pai dedicado, um marido apaixonado e um artista redescoberto, com planos e alegrias centrados em sua família.

O período que antecedeu sua morte foi marcado pelo lançamento de “Double Fantasy”, álbum que ele e Yoko Ono assinaram juntos, celebrado como um retorno triunfal após cinco anos de reclusão musical. A obra incluía canções que expressavam o amor e a preocupação de Lennon por seu filho Sean, de apenas cinco anos na época, consolidando sua nova fase de vida.

A conversa com os entrevistadores Dave Sholin, Laurie Kaye, Ron Rummel e Bert Keane, realizada em seu apartamento no Edifício Dakota, em Nova York, desfiou memórias sobre os Beatles, sua parceria com Yoko, e, principalmente, a rotina que o trazia tanto prazer. Conforme apurado pela reportagem, Lennon compartilhou detalhes íntimos de seu cotidiano, evidenciando uma profunda satisfação em estar em casa e cuidar de Sean.

Um Dia Típico na Vida de um Pai Dedicado

Lennon descreveu sua rotina matinal com um carinho notável. “Quando não estamos gravando, eu me levanto por volta das seis. Vou à cozinha, preparo uma xícara de café, tusso um pouco, fumo um cigarro”, relatou. A chegada dos jornais às sete marcava o despertar de Sean, com quem Lennon supervisionava o café da manhã, garantindo uma alimentação saudável, longe da influência de comerciais de TV. “Eu garanto que ele assista à PBS e não aos desenhos animados com comerciais”, explicou, demonstrando sua preocupação com o conteúdo consumido pelo filho.

Sua dedicação se estendia à tarde, quando acompanhava Sean em suas atividades e refeições. “Fico na cozinha até umas nove horas, quando o Sean já tomou o café da manhã e ele e a babá, Helen [Seaman], estão decidindo o que fazer durante o dia”, detalhou. Lennon ressaltou a importância de estar presente, mesmo que não fosse ele a preparar a comida. “Eu o levo para o quarto dele. Dou um beijo de boa noite”, confessou, exemplificando o afeto.

A vida de Lennon girava em torno de Sean, especialmente no período da noite. “Minha vida gira em torno do Sean”, admitiu abertamente. Após o banho e a hora de dormir do filho, ele buscava a companhia de Yoko, que frequentemente trabalhava até tarde no estúdio. “Aí ligo para o andar debaixo perguntando: ‘O que você está fazendo aí embaixo? Você ainda está aí?’”, contou, evidenciando a dinâmica do casal.

Reflexões sobre Erros do Passado e a Paternidade

Em um momento de profunda introspecção, John Lennon refletiu sobre seus erros como pai, especialmente em relação ao seu primeiro filho, Julian. “Eu me considero um sortudo [como pai]. Mas dediquei meu tempo”, afirmou, contrastando com experiências passadas. Ele admitiu ter cometido erros, mas enfatizou a importância da sinceridade com os filhos. “Acho que é melhor para ele me ver como eu sou”, declarou.

Lennon criticou a ideia de que a carreira deve se sobrepor à vida familiar, um erro que confessou ter cometido. “Eu não acredito nessa história de ‘minha carreira é tão importante que eu lido com os filhos depois’. O que eu já fiz com meu primeiro casamento e meu primeiro filho [Julian] — e meio que me arrependo. Agora ele e eu temos problemas”, desabafou, mostrando arrependimento e a dificuldade em manter laços familiares.

O Prazer Renovado de Criar Música com Yoko Ono

A entrevista também capturou o entusiasmo de Lennon em retornar ao mundo da música. Após um hiato de cinco anos, a criatividade o atingiu de forma avassaladora. “De repente, eu tinha todo esse material. Depois de não tentar de verdade por cinco anos”, celebrou. Ele descreveu o processo criativo com Yoko Ono como um “diálogo”, uma forma de expressar a vida real através da arte.

“Fomos para o estúdio e gravamos cerca de 22 faixas, reduzindo para 14”, detalhou sobre o álbum “Double Fantasy”. Lennon expressou a alegria de compor e gravar ao lado de sua esposa, comparando a experiência à de seu tempo com Paul McCartney. “Só existem dois artistas com quem já trabalhei por mais de uma noite, por assim dizer: Paul McCartney e Yoko Ono”, revelou, destacando a importância de ambos em sua trajetória musical.

A Parceria Duradoura com Paul McCartney

Lennon relembrou com carinho o início de sua colaboração com Paul McCartney, que remonta ao primeiro encontro em 1957. “Nos conhecemos, conversamos depois do show e eu vi que ele tinha talento”, contou. A admiração mútua foi o ponto de partida para uma das parcerias musicais mais icônicas da história.

“O George [Harrison] veio por intermédio do Paul, e o Ringo [Star] veio por intermédio do George”, explicou Lennon sobre a formação dos Beatles. Ele ressaltou que, embora tivesse influência na escolha dos membros, Paul McCartney foi o parceiro que ele reconheceu como talentoso e com quem se daria bem. Essa percepção de talento e afinidade se repetiria anos depois, ao conhecer Yoko Ono.

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