Crescimento do PIB previsto em 1,6% para 2026, impacto da política monetária, baixo nível de ociosidade e riscos fiscais complicam a recuperação
A economia brasileira enfrenta um horizonte de crescimento moderado, com sinais de desaceleração que devem afetar emprego e renda.
O cenário combina juros elevados, fragilidade do setor produtivo e a possibilidade de maior pressão sobre as contas públicas.
Os números e a avaliação macroeconômica constam no Relatório de Política Monetária do quarto trimestre do Banco Central, conforme informação divulgada pelo próprio BC.
O que diz a projeção do Banco Central
No relatório, o Banco Central aponta que o PIB deverá crescer apenas 1,6% em 2026, o pior resultado em seis anos, e atribui parte dessa desaceleração ao panorama de juros. A autoridade monetária também ressalta outros fatores, como o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção e a perspectiva de desaceleração da economia global.
O documento traz a avaliação de que o crescimento menor se dará, em parte, por causa da taxa básica de juros ainda “restritiva”, formulação usada pela própria autoridade monetária para explicar a necessidade de manutenção de política monetária mais dura.
Impactos para famílias e empresas
Quando o crescimento do PIB é baixo, os efeitos se espalham: empresas investem menos, vagas formais encolhem e a renda per capita fica pressionada.
A desaceleração reduz a arrecadação do Estado e limita a capacidade de o país ampliar oportunidades, o que reforça o círculo vicioso entre fraco crescimento e menor investimento público e privado.
Política fiscal, histórico recente e responsabilidade
A reportagem e a análise citam que, diante de gastos em alta, o governo federal tem sido criticado por não criar ambiente favorável ao investimento e à competitividade.
O texto recupera ainda a avaliação histórica de ciclos de política econômica, lembrando que medidas de estímulo que não ampliam produtividade podem levar a episódios de recessão, como quando, segundo o levantamento, medidas daquele período “fez o PIB cair mais de 7% nesse período”.
Perspectivas e riscos
Além do efeito direto da política monetária, o BC destaca a ausência do impulso agropecuário observado em 2025 como um fator de fraco dinamismo do crescimento do PIB em 2026.
O balanço final dependerá da condução da política fiscal, da trajetória dos juros e do desempenho externo, em um ambiente no qual a dívida pública crescente e o risco de choque fiscal aumentam a incerteza sobre a retomada.
Fontes: Relatório de Política Monetária do Banco Central, reportagem e compilações sobre o desempenho histórico da economia brasileira.