Pesquisa DataFolha revela que mais brasileiros se identificam com a direita, que há 46% entre direita e centro-direita, e que apoio a Lula e Bolsonaro nem sempre segue ideologia
Uma nova pesquisa mostra que a direita supera esquerda na autodeclaração ideológica entre os brasileiros, com diferenças claras em várias faixas de identificação.
O levantamento também aponta cruzamentos inesperados entre quem se declara apoiador de líderes, e onde essas pessoas se situam no espectro político.
Os números e as interpretações a seguir ajudam a entender por que a identificação ideológica no Brasil não é linear.
conforme informação divulgada pelo DataFolha.
Resultados gerais da autodeclaração
Na pergunta sobre posicionamento ideológico, 35% dos brasileiros se identificam mais com a direita, enquanto 22% dizem ter afinidade com a esquerda, segundo o levantamento.
Outros 17% dos entrevistados se colocam no centro do espectro político, enquanto que 11% afirmam se identificar com a centro-direita, e 7% com a centro-esquerda, e 8% não souberam responder.
A pesquisa utilizou uma escala de 1 a 7, em que o número 1 representa a extrema esquerda e o 7 a extrema direita. Os que marcaram 5, 6 ou 7 foram classificados como mais próximos da direita, enquanto os que marcaram 1, 2 ou 3 foram agrupados como esquerda. O número 4 foi considerado centro.
Quando considerados os agrupamentos, 46% dos brasileiros se posicionam entre direita e centro-direita, enquanto 29% se colocam entre esquerda e centro-esquerda.
Identificação com Lula e Bolsonaro
Em outra escala, de 1 a 5, em que 1 representa alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e 5 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 40% se declararam petistas, e 34% são apoiadores do Bolsonaro.
Nesse recorte, 18% se posicionaram na faixa de neutros, 6% disseram não apoiar nenhum deles e 1% não soube responder.
Incongruências entre ideologia e apoio político
O cruzamento das respostas revela distanciamentos entre ideologia e identificação partidária, indicando que a relação entre esquerda, direita, Lula e Bolsonaro nem sempre é direta.
Segundo o levantamento, 27% dos entrevistados que se dizem petistas afirmaram se identificar com a direita, enquanto 11% dos que se declaram bolsonaristas disseram se identificar com a esquerda.
Distanciamentos semelhantes aparecem quando os entrevistados são questionados sobre lideranças políticas associadas a cada campo ideológico. Para 9% dos participantes, o presidente Lula foi apontado como a principal liderança da direita, percentual superior ao atribuído ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), citado por 5%, e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), mencionada por 2%.
No sentido oposto, 5% dos entrevistados indicaram o Bolsonaro como a maior liderança da esquerda.
Metodologia e margem de erro
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 2 e 4 de dezembro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os resultados mostram que a expressão “direita supera esquerda” na autodeclaração não elimina complexidades no eleitorado, e que compreensão das posições políticas requer atenção aos cruzamentos entre ideologia e lideranças.