HomeBlogSeleção genética de embriões, NucleusGenomics e o retorno silencioso da eugenia, riscos...

Seleção genética de embriões, NucleusGenomics e o retorno silencioso da eugenia, riscos éticos e sociais da reprodução seletiva em escala comercial

Data:

Posts Relacionados

Debate sobre a seleção genética de embriões cresce após oferta da NucleusGenomics, que promete prever doenças e traços, levantando dilemas éticos, sociais e de dignidade humana

A oferta de serviços que permitem escolher embriões com base em probabilidades genéticas reacende um debate sobre limites morais da biotecnologia.

Além da técnica, está em jogo a visão de pessoa que queremos construir, e o impacto social de normalizar critérios de “melhor desempenho” antes do nascimento.

O tema ganhou atenção após publicação que descreve a proposta de analisar e fazer seleção genética com base em milhares de previsões genéticas, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

O que a NucleusGenomics diz oferecer

A empresa norte-americana, citada na reportagem, apresenta aos casais que recorrem à fertilização in vitro a possibilidade de estimar riscos de doenças complexas, e também traços físicos e cognitivos, como altura, cor dos olhos e probabilidade de inteligência dentro de certos parâmetros.

Segundo a matéria, trata-se de “a possibilidade de analisar e fazer seleção genética com base em milhares de previsões genéticas”, um serviço vendido como forma de escolher “o melhor embrião possível”.

Por que especialistas e críticos soam o alerta

Do ponto de vista bioético, a principal preocupação é a objetificação da vida humana, transformar embriões em itens comparáveis, classificáveis e descartáveis, e enfraquecer a ideia de dignidade intrínseca.

A história oferece precedentes perigosos, quando intervenções médicas foram celebradas e depois condenadas, como no caso do neurologista António Egas Moniz, cuja técnica, então aplaudida no mundo inteiro, rendeu-lhe o Prêmio Nobel em 1949.

Impactos sociais e desigualdade

Normalizar a seleção genética de embriões pode redefinir padrões do que se considera um nascimento aceitável, e criar hierarquias entre nascidos, onde certas condições genéticas passam a ser estigmatizadas.

Isso tende a aprofundar desigualdades, porque acesso a tecnologias de reprodução e seleção costuma ser restrito a quem tem recursos, ampliando vantagens já existentes e reduzindo a tolerância à diversidade genética.

Limites técnicos e a ilusão de controle

As previsões oferecidas por esse tipo de serviço têm caráter estatístico, não garantias, e não há tecnologia capaz de mapear a vida inteira de uma pessoa, com suas contingências e contextos.

Reduzir futuros possíveis a percentuais é impreciso e, em muitos casos, desumanizante, pois ignora fatores ambientais, educacionais e sociais que moldam trajetórias humanas.

O debate é urgente, porque, sem limites éticos claros, corre-se o risco de transformar promessas de melhoria em práticas que corroem princípios básicos da dignidade humana.

Recentes

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

O Informativo Brasil
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.