Casos recentes de mulheres mutiladas e mortas mostram que a violência contra a mulher cresce enquanto apenas 12% da verba prevista foi usada, e a impunidade segue alimentando novos crimes
Nas últimas semanas, crimes violentos contra mulheres voltaram a chocar o país, com episódios que ilustram a repetição de um padrão, violência, e falta de proteção efetiva.
Vítimas foram arrastadas por carros, mutiladas, e lançadas de prédios, enquanto processos, medidas protetivas e promessas não garantiram prevenção nem punição rápida.
Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios. Dá uma média de quatro mulheres mortas por dia, e, ao mesmo tempo, apenas 12% da verba prevista para ações de combate à violência contra a mulher foi efetivamente utilizada pelo governo federal, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Casos que evidenciam a falha na proteção
Em São Paulo, Thaynara Santos, de 23 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pelo ex-namorado, e perdeu as duas pernas. Em Belém, uma jovem foi arrastada por 200 metros pelo carro do próprio namorado, após uma discussão. Dias depois, Maria Katyane Gomes da Silva, de apenas 25 anos, foi encontrada morta após ser jogada do 10º andar de um prédio pelo companheiro.
Esses episódios, que ganharam visibilidade, mostram a gravidade dos atos, mas também levantam a pergunta sobre quantos casos semelhantes não chegam à imprensa, permanecendo na rotina de impunidade no país.
Números e descaso do Estado
Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios. Dá uma média de quatro mulheres mortas por dia. Esses números confirmam que a violência contra a mulher é recorrente e letal, e que a resposta estatal é insuficiente diante da emergência.
Apenas 12% da verba prevista para ações de combate à violência contra a mulher foi efetivamente utilizada pelo governo federal. A subutilização de recursos agrava a falta de políticas públicas, unidades de acolhimento e fiscalização das medidas protetivas.
Como a impunidade alimenta a repetição
A sensação de impunidade leva agressores a acreditar que podem repetir crimes. Processos longos, soltura em audiência de custódia, e penas brandidas transmitem a mensagem de que agredir mulher ainda compensa.
O discurso é sempre o mesmo: ‘denuncie’. Mas denunciar, no Brasil, muitas vezes significa ficar mais exposta se não houver garantia de proteção, integração entre polícia e Justiça, e fiscalização das medidas protetivas.
O que falta para transformar lei em proteção
Não é falta de legislação, leis existem, mas falta execução imediata, investigação ágil, e cumprimento de medidas que protejam de forma real. Medidas protetivas que não são fiscalizadas valem pouco diante do risco.
Violência contra a mulher não é uma fatalidade, É uma escolha do Estado de tolerar a impunidade. Enquanto a resposta for lenta e burocrática, mais mulheres estarão em risco, e a violência continuará a se repetir.
Para reduzir os números, é preciso aplicar recursos, garantir execução das leis, integrar serviços de atendimento e dar respostas rápidas e proporcionais aos agressores, de modo a transmitir que a agressão terá consequência real.