Redução da taxa de desemprego para 5,2% reflete abertura de vagas formais e crescimento da massa salarial, com impactos em vários setores da economia
A taxa de desemprego do Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em novembro, alcançando o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua.
O resultado indica que 5,6 milhões de brasileiros procuraram, sem sucesso, uma colocação profissional entre setembro e novembro, contra 5,9 milhões até o fim de outubro.
As estatísticas e análises a seguir trazem o detalhamento sobre emprego formal, massa de rendimentos e setor por setor, conforme informação divulgada pelo IBGE.
Principais números do mercado de trabalho
No trimestre móvel até novembro, o IBGE aponta que o país registrou 103 milhões de pessoas ocupadas, um recorde, com 1,1 milhão a mais de vagas ocupadas em relação a novembro do ano anterior.
O número de empregados com carteira assinada manteve o recorde, com 39,4 milhões de trabalhadores formais no período.
A população subutilizada foi de 15,4 milhões, ou 13,5%, o menor contingente desde o trimestre encerrado em dezembro de 2014, quando somava 15,3 milhões. Esse grupo recuou 627 mil em relação ao trimestre anterior e 11,9%, ou 2,1 milhões, na comparação anual.
De onde vieram os novos empregos
Em relação ao trimestre anterior, o grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais foi o principal destaque, com alta de 2,6% no número de vagas, o que equivale a mais 492 mil pessoas ocupadas.
Na comparação anual, houve crescimento em dois grupos, transporte, armazenagem e correio, com 3,9% ou mais 222 mil pessoas, e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com 5,6% ou mais 1 milhão de pessoas.
No setor de serviços domésticos, a ocupação recuou 6,0%, o equivalente a menos 357 mil trabalhadores, enquanto os demais grupamentos ficaram estáveis.
As ocupações associadas às atividades de serviços de educação e saúde foram as que mais contribuíram para a expansão da ocupação no trimestre.Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE
Salários e massa de rendimentos
O rendimento médio real habitual da população ocupada atingiu um novo recorde, de R$ 3.574, e a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 363,7 bilhões.
Essa massa é 2,5% maior que a do último trimestre, mais R$ 9,0 bilhões, e 5,8% superior ao mesmo trimestre do ano passado, mais R$ 19,9 bilhões.
No trimestre, o rendimento foi puxado pela alta de 5,4% no rendimento médio dos trabalhadores em informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas.
Na comparação anual, houve ganhos em cinco atividades, agricultura e pecuária 7,3%, construção 6,7%, informação, comunicação e atividades financeiras 6,3%, administração pública 4,2% e serviços domésticos 5,5%.
O que é a Pnad Contínua e como os dados são calculados
A Pnad Contínua, divulgada desde 2012, abrange todo o território nacional e considera a população com 14 anos ou mais. A pesquisa utiliza informações dos últimos três meses, ou seja, os dados divulgados referem-se aos meses de setembro, outubro e novembro de 2025.
A taxa de desemprego é formada por quem está procurando emprego, ou seja, pessoas que fazem parte da força de trabalho, estão disponíveis e tentam encontrar ocupação. O método do IBGE exclui do cálculo quem está fora da força de trabalho, como estudantes que se dedicam apenas aos estudos ou pessoas que não trabalham fora.
O quadro mostra uma combinação de mais vagas ocupadas, aumento do emprego formal, queda da população subutilizada e elevação da massa salarial, fatores que explicam a queda da taxa de desemprego para 5,2% no trimestre até novembro, segundo o IBGE.