Investigação sobre a tentativa de venda do Banco Master registra versões conflitantes entre Vorcaro, ex-presidente do BRB e fiscal do BC, com possibilidade de acareação
Os depoimentos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, à Polícia Federal trouxeram informações que não coincidem, gerando possibilidade de confronto formal das versões.
Vorcaro foi ouvido por quase três horas em uma tarde, e Costa prestou esclarecimentos em seguida, ambos na mesma sequência de oitivas que inclui o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
As divergências podem levar a uma acareação entre os três, conforme informação divulgada pelo Estadão/Broadcast.
O que divergiu entre os depoentes
Fontes apontam que os depoimentos não se alinharam sobre detalhes centrais da tentativa de venda do Banco Master ao BRB, operação anunciada em março e vetada pelo Banco Central em setembro.
Apesar de os relatos não terem sido tornados públicos integralmente, a existência de pontos discrepantes aumenta a chance de que a delegada responsável peça uma acareação, caso as diferenças sejam confirmadas.
O deputado João Carlos Bacelar aparece em um documento que levou a investigação para o Supremo Tribunal Federal, e o caso corre agora sob sigilo elevado na Corte.
Embate sobre a condução das oitivas
A delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito, e o juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, Carlos Vieira Von Adamek, discordaram sobre a forma de conduzir os depoimentos.
Adamek acionou o ministro durante as oitivas, e Toffoli orientou que os depoimentos fossem colhidos antes de eventual acareação, além de encaminhar uma lista de perguntas a serem feitas pela delegada.
Segundo apuração, Palazzo entendeu que a PF deveria conduzir as oitivas tecnicamente, enquanto o juiz auxiliar defendeu maior intervenção do gabinete do relator para definir o roteiro das perguntas.
Contexto processual e próximos passos
Vorcaro chegou a ficar preso preventivamente entre 17 e 29 de novembro, e foi liberado com restrições, como uso de tornozeleira eletrônica e apreensão do passaporte.
Em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, apontando suspeitas de operações fraudulentas que somam cerca de R$ 12 bilhões, e o caso também é investigado pelo Tribunal de Contas da União.
Agora, a PF ainda deve ouvir Ailton de Aquino Santos, que é o único entre os três a não estar na condição de investigado, e a confirmação das divergências pode resultar em acareação para confrontar os relatos e esclarecer pontos-chave da operação.
Contradições depoimentos Vorcaro BRB permanece como elemento central do inquérito, e as próximas diligências definem se haverá confronto formal entre as versões, com repercussões políticas e financeiras.