No Caso Master, presidente do TCU sinaliza recuo na inspeção técnica ao Banco Central, após representação de Alessandro Vieira e declarações que condicionam reversão da liquidação a decisão do STF
O relator do Caso Master no TCU, o ministro Jhonatan de Jesus, deve paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central, uma mudança de rumo que ocorre em meio a pressões políticas e jurídicas.
A decisão de recuo foi confirmada pelo presidente do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo, e reduz a probabilidade de avanço imediato sobre a reversão da liquidação do banco, assunto que o TCU vinha tratando com forte atenção.
O movimento ocorre logo após o senador Alessandro Vieira protocolar uma representação contra o ministro Jhonatan de Jesus na Procuradoria-Geral da República, conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou o recuo e a postura do TCU
Segundo o presidente do TCU, Vital do Rêgo, ainda não existem elementos suficientes que comprovem a suposta precipitação do Banco Central no caso, declaração feita à Reuters, e essa avaliação levou a corte a reconsiderar a inspeção imediata.
Vital do Rêgo também vinculou qualquer possibilidade de reversão da liquidação do Master a uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal, o que reduz a chance de uma medida administrativa do TCU sem decisão judicial superior.
Representação e críticas públicas
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) encaminhou representação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, apontando suspeita de abuso de autoridade nas ações do TCU relacionadas ao Caso Master.
Em postagem na rede social X, o parlamentar afirmou que a atuação do ministro Jhonatan de Jesus é “absolutamente inconstitucional” e que ela “coloca em risco a credibilidade do Banco Central e do sistema financeiro nacional“, crítica que elevou a pressão política sobre a corte.
Próximos passos e encontros previstos
Vital do Rêgo informou que deve se reunir na próxima semana com representantes do governo federal, incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do tema, caminho que sugere busca por entendimento institucional antes de medidas mais contundentes.
O eventual recuo na inspeção técnica não encerra a disputa institucional, mas abre espaço para negociação e para que órgãos superiores avaliem os limites de atuação do TCU no episódio.
Contexto da liquidação e investigação policial
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, ação que ocorreu em paralelo à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investigou emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros.
Na mesma época, o controlador Daniel Vorcaro tentou deixar o país e acabou preso, fatos que aumentaram a atenção sobre o Caso Master e motivaram questionamentos sobre a conduta do BC e a atuação de órgãos de controle.
Desde dezembro, o TCU vinha levantando suspeitas sobre a atuação do Banco Central no caso, movimentação que passou a ser interpretada por alguns atores como tentativa de influenciar a validade da liquidação.