Subprocurador Lucas Rocha Furtado solicita ao presidente Vital do Rêgo que peça o compartilhamento tempestivo de provas da PF sobre a liquidação do Banco Master e os possíveis ataques digitais ao Banco Central
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, por meio do subprocurador-geral da República, Lucas Rocha Furtado, pediu acesso às apurações da Polícia Federal sobre a liquidação do Banco Master.
Segundo o pedido, o acesso aos dados é essencial para subsidiar a atuação do TCU diante da relevância e do impacto do caso, que envolve operações financeiras e troca de ativos sem lastro.
O pedido foi dirigido ao presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, e ocorre após reportagens sobre uma suposta campanha coordenada em redes sociais contra o Banco Central, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Pedido formal e argumento do MP-TCU
No documento, Furtado solicita que o presidente do Tribunal solicite à Polícia Federal o “tempestivo compartilhamento de informações” sobre as apurações relacionadas à liquidação do Banco Master.
Na peça, está escrito, na íntegra, o trecho: “Entendo que caberia a vossa excelência, na qualidade de presidente do Tribunal de Contas da União, solicitar à Polícia Federal que promova o tempestivo compartilhamento de informações sobre as apurações envolvendo a liquidação do Banco Master“, escreveu Furtado no pedido.
O que apura a Polícia Federal
A liquidação do Banco Master foi decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, em paralelo à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação da PF apura, entre outros atos, a emissão de títulos falsos e a venda de carteiras de crédito sem lastro ao Banco de Brasília, em transações que somam cerca de R$ 12 bilhões.
Reportagens da GloboNews indicaram que a Polícia Federal estaria prestes a revelar indícios de uma “campanha coordenada em redes sociais” para difamar o Banco Central, e que supostas redes de mercenários digitais teriam sido contratadas para tumultuar o processo, segundo essas apurações.
Impactos, detidos e tramitação no TCU
O controlador do banco, Daniel Vorcaro, tentou deixar o país, foi detido e acabou preso no curso das investigações, conforme informações oficiais sobre a operação.
No TCU, o caso está sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, que inicialmente determinou, de forma monocrática, a realização de uma inspeção depois do envio de documentos pelo Banco Central, com o objetivo de analisar os dados que embasaram a liquidação do banco.
Após recurso do Banco Central e reação pública considerada “desproporcional” pelo relator, a inspeção foi suspensa para aguardar análise pelo plenário do TCU, e o pedido do subprocurador agora será avaliado pelo presidente Vital do Rêgo.
Próximos passos e atenção pública
Se o presidente do TCU aceitar a solicitação, a Polícia Federal deverá ser formalmente requisitada a compartilhar os elementos de investigação com o Tribunal, para que o TCU avalie possíveis irregularidades administrativas e o impacto sobre o sistema financeiro.
O desfecho do pedido pode influenciar a fiscalização do processo de liquidação, e as decisões do TCU serão acompanhadas de perto pelo mercado e por autoridades, devido ao montante envolvido e às implicações para a supervisão bancária no país.