INSS aposta em bônus a servidores e remanejamento nacional para igualar a fila de benefícios, com foco no BPC e benefícios por incapacidade, e regras rígidas de produtividade
O INSS retomou o pagamento de bônus a servidores como estratégia para reduzir a fila de análise de benefícios, que hoje atinge quase 3 milhões de pedidos em todo o país.
A medida integra a nova versão do Programa de Gerenciamento de Benefícios, que cria um cadastro nacional unificado, permite remanejamento de servidores entre regiões e fixa limites diários e critérios de qualidade.
A proposta prioriza o BPC e os benefícios por incapacidade, e inclui reavaliações e ampliação de avaliações sociais, com objetivo de reduzir o estoque de processos com mais de 45 dias.
conforme informação divulgada pela Folha de S. Paulo e por nota do governo.
Como funciona a redistribuição e o cadastro nacional
A portaria publicada nesta segunda altera a lógica de análise, que deixa de ser regional, e permite que servidores de áreas com menor demanda atuem onde a espera é maior.
Segundo o INSS, em locais como a região Sul e o estado de São Paulo a fila não passa de 45 dias, enquanto no Nordeste a média chega a 188 dias, dados que justificam o remanejamento de equipes.
Na nota oficial, o governo afirmou, “Com isso, o Programa de Gerenciamento de Benefícios otimiza o fluxo de análise dos processos relacionados à concessão e revisão dos benefícios previdenciários. A portaria também estabelece regras sobre a participação dos servidores no programa, limites de tarefas diárias, critérios de controle de qualidade e restrições para servidores cedidos a outros órgãos”, completou o governo em nota nesta quarta (14).
Prioridade no BPC e benefícios por incapacidade
O presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, afirmou que a prioridade será dada ao BPC e aos benefícios por incapacidade, que representam cerca de 80% dos pedidos em espera.
Waller disse, “O INSS é um só e, por isso, a ideia é a gente igualar a fila e melhorar o tempo geral da nossa fila”.
Ele detalhou, “Além disso, nós focamos naqueles benefícios que possuem maior número de pessoas aguardando. Essa é a prioridade para a gente atacar essa fila de verdade, tais como os casos do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e os benefícios por incapacidade. Isso representa quase 80% da nossa fila e esses são aqueles que vamos atacar prioritariamente”.
Além da priorização, a portaria reforça ações de pente-fino, com reavaliação de benefícios já concedidos, e amplia as avaliações sociais no início dos pedidos para acelerar concessões ou indeferimentos.
Regras, limites e compensação de horas
A norma impõe regras mais rígidas aos servidores, especialmente aos que participaram da greve e ainda têm horas não trabalhadas a compensar.
Está previsto que até 50% da produção no programa de bônus poderá ser usada para quitar esse saldo, medida que gerou insatisfação na categoria.
Servidores com 15 tarefas pendentes, sem subtarefas em aberto, ficam impedidos de puxar novos processos nas filas extraordinárias. Só poderão participar do programa aqueles que cumprirem previamente as metas de produtividade definidas para a carreira.
Há limites diários nas filas extraordinárias, como seis processos no Reconhecimento Inicial Direto, dez em benefícios por incapacidade e seis na reavaliação do BPC. Apenas servidores federais ativos da carreira do Seguro Social podem aderir ao programa, e todas as tarefas realizadas entram no sistema de supervisão técnica do INSS.
Impacto esperado e próximos passos
O objetivo declarado é reduzir o tempo médio de espera e equalizar a fila no país, diminuindo o número de processos represados há mais de 45 dias, prazo a partir do qual o INSS começa a pagar correção monetária, aumentando o custo para a Previdência.
Analistas e representantes dos servidores acompanham a implementação, que envolverá monitoramento da qualidade das análises e ajustes na distribuição de tarefas para equilibrar produtividade e controle.
Se as medidas avançarem, o INSS espera acelerar a concessão e a revisão dos benefícios, e reduzir o estoque histórico que atingiu recorde no fim de 2025 e início de 2026.