Autoridades judiciais anunciam agilidade nos julgamentos de manifestantes no Irã, com prioridade para casos de violência e ‘atividades terroristas’, e promessas de julgamentos públicos
O chefe do Poder Judiciário iraniano afirmou que os processos contra participantes dos protestos serão acelerados, em meio à forte preocupação internacional sobre a repressão nas ruas.
As autoridades disseram que casos considerados violência ou “atividades terroristas” terão tratamento prioritário, e que líderes dos atos poderão ser julgados publicamente.
Os detalhes sobre prisões e sentenças, incluindo uma pena capital já marcada, foram divulgados pelas fontes que cobriram os eventos no país, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, pelo IranWire e pela organização Human Rights Activists, HRANA.
Aceleração dos processos e declarações do Judiciário
Conforme divulgado pela imprensa estatal, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, chefe do Poder Judiciário, afirmou que os manifestantes acusados de violência ou de “atividades terroristas” terão prioridade no julgamento e na punição. Ele também declarou que os julgamentos dos organizadores, apontados como “os principais elementos”, serão realizados publicamente.
Primeira sentença de morte e o caso de Erfan Soltani
Uma primeira sentença de morte foi marcada para quarta-feira, dia 14, contra Erfan Soltani, de 26 anos, condenado pela acusação de fazer “guerra contra Deus” segundo a lei iraniana. Segundo o portal IranWire, Soltani foi preso perto de sua casa no distrito de Fardis, em Karaj, e permaneceu três dias sem contato com a família antes de as autoridades comunicarem sua condenação.
Números de prisões e denúncias de violência
A agência da organização Human Rights Activists, HRANA, informou que houve 18.137 prisões desde o início dos protestos em dezembro, além de denúncias sobre milhares de mortes. Esses números têm sido citados por grupos de direitos humanos como indicativos da escala da repressão.
Tensão regional e reações internacionais
Os anúncios do Judiciário ocorrem em meio a crescente tensão na região, com relatos de que o então presidente dos EUA, Donald Trump, avalia novas ações militares contra o Irã enquanto os protestos seguem. A combinação de julgamentos rápidos, penas severas e movimentações externas aumenta a preocupação de observadores internacionais sobre o destino dos manifestantes e sobre a escalada política na região.
Analistas e organizações de direitos humanos pedem atenção sobre o cumprimento de garantias processuais e o acesso a defesa, diante das declarações de aceleração dos julgamentos e das condenações já anunciadas.