Damares afirma que igrejas serão ouvidas pela CPMI do INSS, cita rastreamento do Banco Master e depoimento de Vorcaro, e diz que investigação pode levar pessoas à cadeia
A senadora Damares Alves confirmou a convocação de igrejas e pastores entre os investigados pela CPMI do INSS, ao divulgar nota nesta quarta-feira.
Ela afirmou que a medida causa “profundo desconforto e tristeza”, em razão do papel religioso e social das instituições, e lamentou a necessidade de ouvi-las no colegiado.
A nota surge em meio às provocações do pastor Silas Malafaia e às declarações de Damares sobre o avanço da apuração sobre o Banco Master e o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Nota de Damares e justificativa para ouvir igrejas
Na nota, a senadora, que é evangélica e filiada à Igreja Batista, repetiu que investigar entidades religiosas traz “profundo desconforto e tristeza”, e destacou, entre aspas, que “considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições” é lamentável a necessidade da convocação.
Damares também reafirmou que a CPMI do INSS seguirá o rastreamento de elos financeiros que envolvem o Banco Master, com objetivo de identificar fraudes em descontos de benefícios de aposentados.
Reação de Silas Malafaia e cobrança por nomes
O pastor Silas Malafaia reagiu após declarações anteriores de Damares, cobrando que a senadora “desse nomes aos bois”, e gravou vídeo em que diz ter telefonado ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana, para perguntar se grandes igrejas estariam envolvidas.
Em suas falas públicas, Malafaia declarou, textual e diretamente, “Nós, evangélicos, não vamos ficar com a pecha de corruptos!”, acusando Damares de difamar evangélicos em geral.
Banco Master, Vorcaro e alcance das investigações
Damares informou que a comissão pretende avançar sobre o caso do Banco Master por meio do rastreamento do elo financeiro e do depoimento de Daniel Vorcaro, que, segundo sua defesa, está “sempre” à disposição para falar ao colegiado.
Ela também afirmou que as investigações podem alcançar até 20 outras instituições financeiras e entidades religiosas, incluindo templos, pastores e igrejas, e declarou em entrevista que “A CPMI do INSS vai colocar muita gente na cadeia”.
Próximos passos e calendário
O parlamento está em recesso, e os trabalhos da CPMI do INSS devem ser retomados em fevereiro, quando Vorcaro e outros nomes poderão ser ouvidos como testemunhas ou investigados.
Após a nova nota e as provocações, Damares não voltou a comentar publicamente o episódio, e a comissão segue com a agenda de depoimentos e análise de documentos para mapear possíveis fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios.