Banco Central decretou a liquidação do Will Bank, com possível repasse de até R$ 6,5 bilhões ao FGC, após RAET e indícios de vínculo com o Banco Master em investigação
Liquidação do Will Bank foi definida pelo Banco Central na manhã desta quarta, em razão de sua situação econômico-financeira comprometida e de vínculos com o Banco Master.
A medida ocorre em meio a descobertas relacionadas a operações do conglomerado Master, que já soma contas de investidores no FGC, e pode gerar impacto direto nas reservas do fundo garantidor.
Nos parágrafos a seguir, explicamos os números envolvidos, a posição do Banco Central e a resposta do Banco Master, e o que isso significa para clientes e para o mercado.
conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Quanto pode custar ao FGC e quais são os números
Segundo o Banco Central, o Will Bank possui R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo sem garantia de novas entradas, valor que pode levar à necessidade de cobertura pelo FGC, dependendo da análise do liquidante e do limite de cobertura de até R$ 250 mil por CPF.
O Fundo Garantidor de Crédito já está com uma conta de R$ 40,6 bilhões de investidores do Banco Master, proprietário do Will Bank, o que indica que a liquidação do Will Bank pode agravar a pressão sobre as reservas do FGC.
Motivos da liquidação e ligação com o Banco Master
O Banco Central informou que a liquidação do Will Bank foi necessária, “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A.”, já sob liquidação extrajudicial.
A autarquia acrescentou que a operação do Will Bank estava em regime de administração especial temporária, RAET, e que essa solução não se mostrou viável, incluindo o descumprimento da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos da Mastercard.
Contexto do caso Master e fraudes investigadas
O Will Bank integrava o conglomerado do Banco Master, que foi liquidado no final do ano passado por suspeitas de fraudes bancárias, em investigação que apurou a venda de carteiras de crédito falsas de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília, BRB.
Criado em 2017 como banco digital, o Will Bank foi comprado pelo Master em 2024, e, na ocasião, informou ter mais de 9 milhões de clientes. Ainda de acordo com dados do terceiro trimestre do ano passado, a instituição detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional, indicadores que mostram seu porte relativo dentro do sistema.
Resposta do Banco Master e próximos passos
Em nota à Gazeta do Povo, o Banco Master afirmou em defesa textual, “A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que a instituição mencionada possuía administração apartada, com gestão própria. O Sr. Vorcaro segue colaborando plenamente com as autoridades competentes, permanecendo à disposição para esclarecimentos. Esclarece ainda que, até 17 de novembro, a instituição operava regularmente sob o controle do conglomerado Master, e que, a partir de 18 de novembro, com a decretação da liquidação extrajudicial, a gestão do conglomerado passou a ser exercida em RAET pelo Banco Central.”
O Banco Central ressaltou que a liquidação foi decretada após a administração especial não se mostrar viável, citando, entre outros pontos, o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo da Mastercard, e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
Para clientes e correntistas, a prioridade agora é acompanhar as comunicações oficiais do liquidante e do FGC sobre prazos e regras de reembolso, lembrando que o limite de garantia por CPF é de R$ 250 mil.