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Confiança do empresário industrial em queda, ICEI atinge 48,5 pontos em janeiro de 2026, pior mês em 10 anos e pior desde governo Dilma, juros altos pesam

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Levantamento da CNI aponta alta de 0,5 ponto no ICEI, mas confirma pior resultado para janeiro em uma década, empresários citam elevação da Selic como fator decisivo

A confiança do empresário industrial segue baixa, mesmo com variação positiva marginal no início de 2026. O Índice de Confiança do Empresário Industrial, ICEI, subiu 0,5 ponto em janeiro e ficou em 48,5 pontos, segundo a entidade.

Apesar da leve alta, o resultado representa o pior janeiro em 10 anos para a confiança do empresário industrial, e evidencia um ambiente de cautela entre fabricantes de todos os portes.

O levantamento ouviu 1.058 empresas, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes, entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026, conforme informação divulgada pela CNI.

Por que a confiança caiu

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a principal causa é a alta dos juros. Ele afirmou, “A confiança do empresário vem baixando desde o início do ano passado, em resposta à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024, À medida que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, explicou.

Empresários relatam que custos financeiros maiores e a redução da demanda elevam a incerteza sobre novos investimentos, produzindo impacto direto na produção e contratação.

O que dizem os números

O ICEI em 48,5 pontos mostra que a confiança permanece abaixo da linha de 50 pontos, referência entre otimismo e pessimismo. A série histórica citada pela CNI evidencia que o atual patamar é o pior para janeiro em uma década.

Na comparação histórica, a pior marca do indicador ocorreu no contexto da recessão do segundo governo de Dilma Rousseff, em janeiro de 2016, quando o ICEI marcou 36,6 pontos, segundo a CNI.

Contexto político e antecedentes fiscais

O texto de referência recorda a crise que levou à perda do mandato da ex-presidente, relacionada às chamadas “pedaladas fiscais”. O Tribunal de Contas da União apontou que, em 2015, o governo não ressarcira no prazo bancos que pagavam benefícios sociais, e somente no primeiro semestre de 2015, foram R$ 40 bilhões em repasses atrasados.

O relatório do TCU aponta ainda que a manobra teria levado a uma avaliação enganosa do resultado primário das contas públicas superior a R$ 10 bilhões e R$ 7 bilhões, respectivamente, entre 2013 e 2014, contribuindo para a incerteza daquele período.

Perspectivas e sinais para empresas

Analistas da CNI e empresários destacam que o caminho para reverter a baixa na confiança passa pela queda da taxa de juros e por sinais claros de recuperação da demanda. Enquanto a Selic permanecer elevada, a tendência é que a confiança do empresário industrial demore a se recuperar.

Em resumo, embora o ICEI mostre uma variação positiva de 0,5 ponto, a leitura do mercado industrial é de fragilidade, com o impacto dos juros altos sendo apontado como fator central na perda de confiança, segundo a CNI.

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