Pré-acordo sobre a Groenlândia prevê quatro pilares, incluindo cancelamento de tarifas, renegociação de presença militar para a Cúpula Dourada e controle de investimentos
Um pré-acordo firmado à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos entre os Estados Unidos e a Otan trouxe detalhes sobre medidas de segurança e econômicas na Groenlândia.
O entendimento, relatado pela imprensa europeia, concentra-se em quatro pilares que alteram a presença militar, o controle de investimentos e a postura comercial entre Washington e aliados.
Os detalhes foram divulgados por jornais europeus como Der Spiegel e Die Welt e pela Gazeta do Povo, conforme informação divulgada por Der Spiegel, Die Welt e Gazeta do Povo.
Quais são os quatro pilares do pré-acordo
O primeiro pilar prevê o cancelamento da ameaça de novas tarifas por parte dos EUA, medida que abriria espaço para reduzir tensões comerciais com países europeus.
O segundo ponto diz respeito à renegociação de um acordo sobre a presença de tropas na Groenlândia, que remonta a 1951 e foi emendado em 2004, buscando atualizar cláusulas de defesa para incluir o novo escudo antimísseis.
O terceiro pilar concede aos EUA maior poder para controlar investimentos na ilha, com objetivo de impedir que concorrentes estratégicos, como China e Rússia, garantam acesso a recursos locais.
O quarto compromisso exige um engajamento mais firme dos países europeus da Otan com a segurança no Ártico, respondendo às preocupações dos EUA sobre presença de navios e submarinos estrangeiros na região.
Renegociação do acordo sobre tropas e a Cúpula Dourada
O texto a ser revisado, intitulado “Defesa: Groenlândia”, estabelece atualmente que a base aérea de Thule, também chamada Pituffik, é a principal zona de defesa da ilha.
A proposta americana busca incluir uma cláusula para a instalação da chamada Cúpula Dourada, um escudo antimísseis inspirado no sistema israelense, cujo custo é estimado em US$ 175 bilhões.
Segundo as publicações, o objetivo declarado dos EUA é ter o sistema operacional até o fim do atual mandato presidencial, em 2029, e proteger, além dos EUA, o Canadá de possíveis ameaças estratégicas.
Controle de investimentos e recursos estratégicos
O acordo prevê mecanismos para que o governo dos EUA possa bloquear ou vetar investimentos considerados estratégicos na Groenlândia, com ênfase em minerais de terras raras.
Essa cláusula visa impedir que potências concorrentes adquiram participação em ativos críticos na ilha, garantindo, segundo a proposta, acesso e segurança a recursos vitais.
Posição da Dinamarca, soberania e reações
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o entendimento não discute a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia.
Frederiksen declarou, em comunicado, “A Otan conhece absolutamente a posição do Reino da Dinamarca. Podemos negociar sobre tudo o que é político: segurança, investimentos, economia. Mas não podemos negociar sobre nossa soberania. Fui informada de que este também não foi o caso. Naturalmente, apenas a Dinamarca e a Groenlândia podem tomar decisões em questões que concernem à Dinamarca e à Groenlândia”.
Os líderes europeus chegaram a considerar respostas comerciais à pressão americana, incluindo a possível introdução de tarifas no valor de cerca de 93 bilhões de euros sobre importações dos EUA, antes que a ameaça fosse suspensa, segundo a cobertura jornalística.
Fontes apontam que o encontro em Davos envolveu, além do presidente dos EUA, Donald Trump, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e que negociações também teriam contado com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
Enquanto o pré-acordo trata de segurança, investimentos e comércio, não há indicação pública de mudança na soberania da Groenlândia, que segue sendo matéria de decisão da Dinamarca e da própria Groenlândia.