Lula Vorcaro, encontro fora da agenda em 2024 com Daniel Vorcaro e integrantes do círculo financeiro, provoca novos questionamentos sobre influência e regulação
O presidente da República manteve um encontro que não constou na agenda oficial, em um fato que passou a ser objeto de apuração da imprensa.
Segundo relatos, na reunião também estariam presentes o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o que evidencia o nível de interlocução do banqueiro.
Conforme informação divulgada pelo Metrópoles, e confirmada por CNN, Valor, UOL e rádio Band News, o encontro não foi negado pelos envolvidos e a Presidência não respondeu ao contato da reportagem.
O encontro e os participantes
Fontes apontam que a reunião ocorreu fora da agenda oficial, e que Daniel Vorcaro participou acompanhado por assessores, enquanto o presidente Lula recebeu queixas sobre o mercado bancário.
Estariam presentes, segundo as reportagens, Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, o que, na avaliação de analistas, sinaliza acesso direto do banqueiro aos círculos mais altos em Brasília.
Assuntos levantados e resposta atribuída a Lula
De acordo com as informações publicadas, Vorcaro teria reclamado da concentração do mercado bancário e das consequências para o Banco Master, enquanto Lula teria dito que a questão era um problema técnico de regulação, que caberia ao Banco Central.
Na semana anterior, o próprio presidente foi citado em pronunciamento contundente, quando disse que, na sua visão, “falta vergonha na cara” a quem defende o “sujeito do Master”, frase que passou a ser usada por críticos como referência ao caso.
Operação Compliance Zero e pontos da investigação
Daniel Vorcaro foi alvo principal da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que chegou a prendê-lo por alguns dias no final do ano passado, segundo as reportagens.
O ministro Dias Toffoli levou o caso ao Supremo Tribunal Federal e determinou o sigilo das investigações, com envio de provas lacradas ao STF, conforme divulgado pelas fontes.
Em nova fase deflagrada em 14 de janeiro, a Polícia Federal aprofundou apurações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, e identificou operações com ativos sem liquidez, preços artificialmente inflados, uso de laranjas e transações entre partes relacionadas com vínculos societários ou familiares.
Trechos vazados do depoimento de Vorcaro à PF apontam que ele reconheceu que o Banco Master enfrentava crises constantes de liquidez e utilizava o Fundo Garantidor de Crédito, FGC, como sua própria estratégia de negócios.
Os investigadores consideram que o grupo formado por Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, conforme as mesmas reportagens.
Impacto político e próximos passos
O caso reacende perguntas sobre a influência de grandes empresários do setor financeiro nas instâncias de poder, e mostrou, segundo as reportagens, a dimensão do acesso que Vorcaro tinha ao círculo mais alto do governo.
No depoimento à Polícia Federal, o banqueiro mencionou, entre políticos que teria encontrado, apenas o nome do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sem qualquer menção ao presidente, segundo as fontes consultadas.
Representantes de Vorcaro foram procurados e ainda não se posicionaram, e o espaço segue aberto para eventuais manifestações, enquanto as investigações e a tramitação de medidas no STF prosseguem.