Presidente anunciou intenção de visitar Washington no início de março para conversar diretamente com Donald Trump sobre Palestina, conselho de paz, Venezuela e cooperação multilateral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende ir a Washington no começo de março para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem conversou por telefone recentemente.
Durante entrevista coletiva em sua chegada ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, Lula disse que quer tratar de temas como o conselho de paz proposto por Washington, a situação em Gaza e a retomada do diálogo entre os países.
O anúncio foi feito em um balanço de conversas com líderes internacionais, e o presidente demonstrou otimismo sobre a recuperação das relações bilaterais e do multilateralismo, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Datas, compromissos e a previsão da viagem a Washington
Segundo o presidente, a expectativa é de que a visita ocorra no início de março, em agenda que deverá incluir uma conversa direta com Trump “olhando um no olho do outro”. Lula relatou em coletiva, “eu conversei com o Trump ontem, eu conversei com o Macron hoje, eu conversei com o Boric hoje e depois vou conversar com mais gente porque eu estou discutindo a questão do multilateralismo, a questão da democracia no mundo inteiro e eu espero marcar com o presidente Trump no começo de março, eu vou fazer uma viagem a Washington”.
O plano de viagem a Washington, segundo o presidente, faz parte de uma estratégia maior de reaproximação diplomática e de fortalecimento do diálogo entre Brasil e Estados Unidos.
Pedido sobre o conselho de paz e posição em relação à Palestina
Na conversa por telefone com Trump, Lula pediu que o escopo do conselho de paz criado pelo governo dos EUA se limite à situação em Gaza e que seja garantido um assento para a Palestina na iniciativa, conforme relato do presidente durante a entrevista.
O pedido reafirma a posição do Brasil em buscar meios de diálogo multilaterais e em defender solução diplomática para o conflito em Gaza.
Venezuela, multilateralismo e expectativa de normalidade
Ao comentar a situação na Venezuela, Lula afirmou que a solução para o país deve vir dos próprios venezuelanos, em frase reproduzida pelo presidente, “quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano. Não será o Brasil, não será os Estados Unidos, será a Venezuela. E nós temos que ter paciência e ajudar com que o povo venezuelano possa cuidar do seu destino.”
O presidente também se mostrou confiante na recuperação das relações e no fortalecimento do multilateralismo, dizendo que “eu estou convencido de que a gente vai voltar à normalidade logo, logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós.”
Presença no Panamá e representação em Davos
Lula chegou ao Panamá para participar do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, evento chamado de “Davos da América Latina”, e deve discursar no encontro. O presidente não participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em janeiro, e a representação brasileira naquele evento ficou a cargo da ministra Esther Dweck.
O anúncio da previsão de viagem a Washington e os temas apontados por Lula marcam uma agenda diplomática com foco em diálogo direto com líderes estrangeiros, voltada para questões de segurança, economia e normas multilaterais.