Registros do GSI e relatos apontam encontros fora da agenda, aconselhamento para não vender o banco e contratos milionários que criaram vias de influência no governo
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, construiu uma rede de relações que alcançou o Planalto, o Judiciário e dirigentes do PT, conforme apontam documentos e relatos do caso.
Registros do Gabinete de Segurança Institucional, segundo a apuração, mostram pelo menos quatro visitas de Vorcaro ao Planalto entre 2023 e 2024, e uma reunião reservada em dezembro de 2024, em meio à crise de liquidez do banco.
Contratações de peso, como o pagamento de R$ 1 milhão mensais a Guido Mantega e repasses de R$ 250 mil mensais ao escritório ligado a Ricardo Lewandowski, ampliaram o trânsito político do banqueiro, segundo a reportagem, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Visitas ao Planalto e a reunião fora da agenda
Os registros do GSI indicam que Vorcaro esteve no Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024, segundo as informações apuradas.
O episódio mais grave, relatam fontes, ocorreu em dezembro de 2024, quando o banqueiro teve, fora dos registros oficiais, um encontro com o presidente da República, em meio à crise de liquidez do Banco Master.
Estava presente, segundo relatos, Gabriel Galípolo, então indicado à presidência do Banco Central, e, sempre segundo testemunhos, o presidente teria aconselhado Vorcaro a não vender a instituição, informação que levanta preocupações éticas e institucionais.
Contratações e pagamentos que ampliaram influência
Além do trânsito pessoal, o controle de influência passou por contratações bem remuneradas, conforme a apuração.
Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, foi contratado como consultor do banco, recebendo, segundo o material, R$ 1 milhão mensais, por indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Do início de 2023 a agosto de 2025, período em que Ricardo Lewandowski ocupou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o escritório associado ao ex-ministro teria recebido R$ 250 mil mensais do Banco Master, e fontes ouvidas indicam que essa associação contribuiu para a saída de Lewandowski do governo no início de janeiro.
Reações do governo e a tentativa de normalização
Diante da repercussão, a resposta oficial tentou minimizar os fatos, conforme a apuração.
A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o presidente “recebe muita gente” e que reuniões desse tipo seriam da “natureza do cargo”, defesa que críticos consideram insuficiente diante do caráter reservado e do contexto financeiro do encontro.
O texto apurado também aponta críticas ao comportamento de integrantes do Judiciário, e lembra a relação do relator do inquérito no STF, Dias Toffoli, com o banco, afirmando que, segundo a reportagem, Toffoli “já deveria ter sido alvo de impeachment por sua relação pessoal com o banco”.
O que precisa ser esclarecido
Os fatos já divulgados são considerados graves, mas não esgotam a necessidade de investigações, fiscalização e transparência, dizem fontes consultadas.
É preciso apurar, com independência, até onde se estenderam os contatos e se houve quebra de normas, conflitos de interesse ou favorecimento indevido, para restabelecer a confiança nas instituições.
Sem medidas de investigação e responsabilização, há o risco de normalizar a convivência entre poder público e grupos privados em situações que comprometem a aparência de probidade, segundo preocupações levantadas na apuração da Gazeta do Povo.