Em audiência no Senado, debate sobre captura de Maduro reuniu críticas sobre poderes presidenciais e menções a Lula e Bolsonaro, audiência Rubio Maduro Lula Bolsonaro ganhou destaque
O senador Rand Paul questionou o secretário de Estado Marco Rubio sobre a operação dos EUA que resultou na captura de Nicolás Maduro no dia 3, e usou exemplos políticos do Brasil para reforçar seu argumento.
Paul afirmou que a ação pode representar uma violação da Constituição, ao dizer que presidentes não podem agir sem a aprovação do Congresso, e citou comparações entre líderes que negaram resultados eleitorais.
As declarações ocorreram em uma audiência sobre as políticas do governo Trump em relação à Venezuela, e provocaram respostas diretas de Rubio sobre as acusações contra Maduro, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que disse Rand Paul
Paul uniu-se a senadores democratas ao criticar a operação, afirmando preocupação com a legalidade e com o papel do Congresso. Segundo ele, estamos diante de um risco quando o Executivo age sem autorização legislativa.
Em sua fala, Paul disse, “Penso que estamos violando tanto o espírito quanto a lei da Constituição ao bombardear uma capital, bloquear o país e destituir autoridades eleitas“, e alertou que tal caminho pode levar ao caos.
Ele também citou exemplos internacionais para ilustrar o problema, afirmando que líderes, como Bolsonaro e ex-presidentes dos EUA, questionaram a legitimidade de rivais, e que isso complica a justificativa para ações unilaterais.
Resposta de Marco Rubio
Rubio reagiu defendendo a operação, ressaltando que, segundo o governo americano, Maduro não era um líder legitimamente eleito em 2024 e responde a acusações penais nos EUA.
O secretário afirmou, “Não removemos uma autoridade eleita. Removemos alguém que não foi eleito e que, na verdade, era um traficante de drogas indiciado nos Estados Unidos“, ao mencionar acusações de narcoterrorismo e conspiração envolvendo cocaína e armamento.
Rubio ressaltou que a ação foi apresentada como pontual, e não como o início de um conflito, mas não respondeu diretamente ao argumento de que o Congresso deveria autorizar operações de guerra.
Implicações legais e políticas
O confronto entre Paul e Rubio coloca em debate a fronteira entre operações contra o crime organizado e intervenções que exigiriam autorização do Congresso, e levanta dúvidas sobre precedentes para o uso da força.
Ao mencionar Lula e Bolsonaro, Rand Paul buscou mostrar que a contestação de resultados eleitorais é um fenômeno que pode ser invocado para justificar ações extraordinárias, o que, na visão dele, exige regras claras.
No plenário, Rubio não respondeu ao trecho em que Paul relacionou casos de negação de resultados, e a audiência prosseguiu com outros questionamentos sobre a política americana na Venezuela e suas consequências regionais.