No Paraná, deputado defende dobradinha e articulação entre PL e Novo, alerta contra excesso de candidaturas e condiciona definição ao movimento do governador Ratinho Jr.
O deputado federal Filipe Barros, do PL do Paraná, afirmou que a **unidade do campo conservador será decisiva** para as eleições de 2026 e sugeriu uma parceria com Deltan Dallagnol, do Novo, para disputar as duas vagas ao Senado.
Barros disse que a definição, no entanto, precisa passar pela estratégia do governador Ratinho Jr., cujo movimento poderá redesenhar completamente o tabuleiro político no estado.
A entrevista foi concedida à coluna Entrelinhas, e as declarações são tratadas segundo informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
Articulação entre PL e Novo e a proposta de dobradinha
Filipe Barros enfatizou que a conversa com Deltan Dallagnol é concreta e cordial, e que existe **alinhamento** entre PL e Novo dentro do governo estadual. Segundo ele, a articulação tem caráter estratégico, com foco em concentrar esforços para evitar divisão de votos.
Nas suas palavras, “Tenho uma grande admiração pelo Deltan e amizade. Nós temos uma excelente conversa e há um bom alinhamento entre o PL e o Novo“, complementando em seguida, “O que eu defendo é concentração de esforços. O excesso de candidaturas já custou caro ao Paraná no passado“.
Barros citou ainda que o nome da jornalista Cristina Graeml aparece como relevante nos bastidores, mas preferiu não comentar sobre ela, mantendo o foco na proposta de **dobradinha Filipe Barros Deltan** e na coordenação com Ratinho Jr.
O peso de Ratinho Jr. e o risco de fragmentação da direita
Para o parlamentar, o cenário definitivo depende do movimento do governador Ratinho Jr., que pode optar por disputar o Senado, ou seguir em outros rumos, inclusive na eleição presidencial. Barros afirmou, “Estamos aguardando a definição do próprio governador. Já temos uma deliberação no PL de caminharmos juntos com o Ratinho, e o Novo também faz parte do governo. Antes de qualquer definição, precisamos saber qual será o movimento dele“.
O deputado destacou a popularidade do governador, observando que “O governador tem uma aprovação altíssima no Paraná. Os municípios nunca receberam tantos investimentos. É obra para todo lado“, o que, na sua visão, torna Ratinho Jr. peça central para a montagem das chapas.
Barros lembra que o excesso de pré-candidaturas pode repetir erros históricos, citando 2010 como exemplo negativo. Segundo ele, “A divisão dos votos da direita fez com que o Paraná elegesse Gleisi Hoffmann e Requião. Esse erro não pode se repetir“, e afirma que o PT já percebeu a oportunidade ao revisar posições em Brasília.
Cenário nacional, movimentos partidários e acenos ao segundo turno
O deputado comentou a migração do governador Ronaldo Caiado para o PSD, como movimento esperado, e relacionou a mudança ao tabuleiro nacional que também envolve Ratinho Jr. Barros disse, “Esse movimento do Caiado já era esperado. Desde o ano passado se falava que a federação não daria legenda para ele“.
Apesar de alertar contra a fragmentação no primeiro turno, Filipe Barros não rejeita candidaturas alternativas, desde que haja harmonia para o segundo turno, afirmando que a política é um jogo de xadrez e que cortar pontes agora seria um erro.
Ele também deixou claro seu posicionamento no campo bolsonarista, ao afirmar que “O meu pré-candidato é o Flávio Bolsonaro. Tenho certeza de que ele estará no segundo turno e vai precisar do apoio de todos esses governadores“.
Críticas à política externa de Lula e cobrança sobre o Banco Master
Na entrevista, Filipe Barros fez críticas duras à política externa do governo Lula, afirmando que o alinhamento com países como Irã, Cuba, Venezuela e Nicarágua é prejudicial. Nas suas palavras, “A política externa do Lula é um desastre completo. O Brasil se alinhou a ditaduras como Irã, Cuba, Venezuela e Nicarágua“.
Sobre o caso do Banco Master, o deputado declarou ter sido o primeiro a acionar a Polícia Federal, e citou datas e ações: “Em dezembro de 2024, antes de qualquer reportagem, eu protocolei um pedido de investigação. Hoje, estamos vendo o que pode ser uma das maiores fraudes bancárias da história“.
Barros defende a instalação de uma comissão específica, com investigação aprofundada, e advertiu que “Se houver CPI, ela precisa investigar de verdade, não virar espetáculo. Precisamos entender como contratos milionários foram firmados e quem se beneficiou disso“.
Ao longo da entrevista, o deputado repetiu a necessidade de unidade entre as forças conservadoras e reiterou que qualquer definição sobre candidaturas ao Senado no Paraná, incluindo a proposta de dobradinha Filipe Barros Deltan, será condicionada ao movimento de Ratinho Jr., tornando o governador peça-chave no processo eleitoral de 2026.