Analista espera começo do afrouxamento com baixa de 0,50%, mas destaca cautela do Banco Central, foco na inflação e possibilidade de acelerar cortes conforme dados
O Comitê de Política Monetária sinalizou convicção em iniciar o ciclo de afrouxamento, mas com passos cautelosos, preservando a vigilância sobre a inflação.
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, o início deve ocorrer com cortes de 0,50%, e não com reduções menores como 0,25%.
Os efeitos sobre crédito e consumo tendem a aparecer apenas meses depois dos primeiros cortes, e o ritmo dependerá muito do comportamento dos dados, conforme informação divulgada pelo Canal UOL.
Por que começar com corte de 0,50%
Segundo Marianna Costa, “0,25% seria muito pouco em relação a uma Selic de 15%, e que faz sentido realizar cortes de 0,50%, com ajustes quando necessário.” A economista avalia que, em termos percentuais, um corte de 0,25% é pouco relevante sobre uma taxa tão alta.
Ela acrescenta que “Provavelmente [a ata] corrobora um corte de 0,50%. Ele começa o ciclo com um corte de 0,50, porque ele já está sinalizando que ele está muito convicto do início do ciclo.”
Cautela do Banco Central e vigilância da inflação
Mariaanna destaca que a ata do Copom mostra prudência, ao mesmo tempo que abre espaço para o início do afrouxamento. “A ata do Copom está sugerindo que os cortes vão de forma muito cautelosa, que o Banco Central entende que o ciclo deve começar, mas que ele vai de forma bastante cautelosa,” disse a economista.
Ela reforça que, mesmo com o início do ciclo, o BC mantém forte preocupação com a trajetória da inflação, lembrando que uma Selic de 12% ainda é considerada restritiva frente à meta de convergência, “uma convicção muito grande de que a taxa tem que ficar num nível restritivo por um tempo ainda importante para fazer com que você tenha a convergência da inflação para a meta.”
Impacto no crédito, consumo e possíveis trajetórias da Selic
Os efeitos dos cortes sobre crédito e consumo costumam surgir com defasagem, por isso o Copom quer prudência, observando resultados econômicos e expectativas antes de acelerar o ritmo.
Sobre a eventual trajetória da taxa, Marianna aponta que “Ele talvez possa acelerar no meio do caminho. Isso é uma possibilidade, ele não está dizendo isso, mas ele não está fechando a porta.” A discussão futura, segundo ela, será se “Se essa Selic vai chegar a 12,5% ou se ela tem espaço para ir um pouco abaixo disso.”
O que monitorar nos próximos meses
Os principais indicadores a acompanhar serão os dados de inflação, as expectativas do mercado e sinais de recuperação do crédito. Caso a inflação permaneça controlada, o ciclo de cortes pode manter ritmo moderado, com espaço para ajustes.
O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta-feira no UOL às 8h, com apresentação de Amanda Klein, fornecendo análises e comentários sobre movimentos do mercado financeiro.