Operação em Paris envolveu Ministério Público, Gendarmerie e Europol, com convocação de Musk e Linda Yaccarino para 20 de abril, por suspeitas sobre o Grok
As autoridades francesas cumpriram, nesta terça-feira (3), uma ordem de busca nos escritórios do X em Paris, em uma operação ligada a uma investigação aberta no início de 2025.
O procedimento atingiu áreas administrativas da plataforma e levou à intimação de dirigentes, entre eles Elon Musk, para prestar esclarecimentos à Justiça.
O caso apura o funcionamento do modelo de IA Grok, e suspeitas sobre a circulação de conteúdo sexualizado e manipulado, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Operação e órgãos envolvidos
Segundo o Ministério Público francês, “Foi realizada uma busca (…) pela seção de combate ao cibercrime do Ministério Público de Paris, em conjunto com a unidade nacional cibernética da Gendarmerie e a Europol, no âmbito da investigação aberta em janeiro de 2025”.
A ação foi executada no contexto de um inquérito conduzido pela Direção Geral da Gendarmerie Nacional, após o registro de denúncias no começo e meio de 2025.
Acusações e conteúdo suspeito
O Ministério Público ampliou o inquérito diante de relatos que apontavam irregularidades no modelo de IA Grok, que teriam provocado “a difusão de conteúdos negacionistas e ‘deepfakes’ de caráter sexual”.
Entre as acusações criminais investigadas, o órgão citou as de “cumplicidade na posse de imagens de menores de caráter pedopornográfico”, “atentado contra a representação da pessoa (deepfakes de caráter sexual)”, “extração fraudulenta de dados de um sistema de tratamento automatizado de dados, em quadrilha organizada” e manipulação de algoritmos ou sistemas informáticos.
Convocação de Musk e procedimento judicial
Os responsáveis pela plataforma foram convocados por meio da figura jurídica do “interrogatório livre”, que exige comparecimento sem prisão, para que a Justiça avalie se haverá indiciamento formal.
Elon Musk foi intimado a depor no dia 20 de abril, data em que também deverá se apresentar Linda Yaccarino, diretora-executiva do X.
Musk já afirmou em outra ocasião que considera a investigação um “ataque à liberdade de expressão”, posição que segue sem comentários públicos sobre a operação anunciada.
Impacto sobre o Grok e a plataforma
As investigações sobre o Grok e relatos de deepfakes e conteúdo sexualizado colocam pressão regulatória sobre o X em vários países.
Em reportagens relacionadas, países como Indonésia e Malásia chegaram a retirar o Grok do ar, e a Europa abriu apurações sobre imagens sexualizadas derivadas da ferramenta, o que pode influenciar decisões judiciais e de compliance na plataforma.
O caso deve evoluir conforme o comparecimento dos convocados em abril, e possíveis desdobramentos dependerão das provas coletadas nas buscas e do resultado do interrogatório livre.