HomeBlogCongresso aprova gratificação e licença compensatória que podem elevar remuneração dos servidores...

Congresso aprova gratificação e licença compensatória que podem elevar remuneração dos servidores do Legislativo acima do teto de R$ 46.366,19, entenda os PLs

Data:

Posts Relacionados

Projeto da Câmara, PL 179/2026, e projeto do Senado, PL 6070/2026, criam benefícios que podem elevar salários do Legislativo, com licença compensatória e gratificação de até 100%

O Congresso aprovou nesta terça-feira (3) dois projetos de lei que concedem reajuste e uma nova gratificação aos servidores do Poder Legislativo, com potencial para elevar vencimentos acima do teto do funcionalismo, fixado em R$ 46.366,19.

As votações foram simbólicas, portanto não é possível identificar como cada parlamentar votou, e os textos seguem agora para sanção presidencial.

As informações são baseadas em reportagem da Gazeta do Povo, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.

Como funcionam as licenças e o risco de ultrapassar o teto

Os projetos criam uma licença compensatória para servidores que acumulam múltiplas atribuições e exercem trabalhos de “alta complexidade e responsabilidade institucional” em funções comissionadas. Segundo os textos, esses servidores podem ter uma licença a cada três dias trabalhados, limitada a 10 folgas por mês.

No PL 6070/2026, do Senado, a proporção varia entre o mínimo de um dia de licença para cada 10 dias de efetivo exercício e o máximo de um dia para cada três dias de exercício. A gradação deverá ser detalhada em regulamentação da Presidência do Senado.

Durante a votação na Câmara, a deputada Júlia Zanatta perguntou se parte dos servidores terão salários maiores do que os próprios parlamentares, e o presidente da Casa, Hugo Motta, respondeu, “Sim, pelo banco de horas”. A possibilidade de acúmulo por banco de horas é apontada por críticos como caminho para que remunerações ultrapassem o teto de R$ 46.366,19.

O que é a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, GDAE

Ambos os projetos instituem a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico, GDAE, que varia entre 40% e 100% do vencimento básico, conforme metas e entrega de resultados. Na Câmara, a GDAE incide sobre o maior vencimento básico do respectivo cargo, elevando o valor base para analistas e técnicos.

No Senado, a gratificação incide sobre o vencimento básico do cargo ocupado, o que faz o valor nominal crescer com progressão na carreira. O PL 6070/2026 também prevê aumento anual e gradual das remunerações básicas entre 2026 e 2029.

Natureza indenizatória, aposentadoria e incidência fiscal

As licenças previstas podem ser convertidas em pagamento, conforme o texto, “compatível com o grau de complexidade, responsabilidade e dedicação contínua de cada nível de função”. Ambas as Casas definiram que essa parcela tem caráter indenizatório, o que significa que “não sofre descontos de Imposto de Renda ou previdência, nem se incorpora ao salário ou à aposentadoria do servidor”.

A gratificação foi desenhada para integrar proventos de aposentadoria e pensão, desde que haja paridade com os servidores da ativa. No caso do Senado, o cálculo para aposentados será feito pela média dos percentuais atribuídos aos servidores em atividade.

Trâmite, críticas e posição dos partidos

Os projetos tiveram apoio da base do governo e da oposição, com o partido Novo votando contra. Na Câmara, a inclusão dos PLs na pauta ocorreu após acordo entre líderes partidários pela manhã, e a votação foi criticada por deputados que apontaram falta de análise detalhada.

A deputada Adriana Ventura, do Novo, afirmou “É vergonhoso… Para o brasileiro que está nos ouvindo é o famoso ‘trabalha 3 dias e folga um'” e perguntou “Cadê a análise de impacto [orçamentário]?”. O presidente da Câmara defendeu que as categorias têm direito de lutar pela melhoria salarial, e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou que Motta “está tendo a coragem” de reajustar salários após 11 anos sem aumentos.

O deputado Tarcísio Motta declarou que o reajuste linear é “absolutamente coerente” e “justo”, mas criticou o penduricalho que pode resultar em remunerações acima do teto. O deputado Kim Kataguiri pediu votação nominal, pedido que foi rejeitado, e afirmou, “Em vez de esta Casa ter coragem de enfrentar os supersalários de juízes e promotores, vamos instituir supersalários para os servidores do Poder Legislativo”.

No Senado, o único parlamentar a se manifestar contra o projeto foi o senador Eduardo Girão. Os deputados Nikolas Ferreira e Tabata Amaral protocolaram votos contrários por escrito.

Orçamento e próximos passos

De acordo com os textos aprovados, a execução das despesas será suportada por dotações orçamentárias já existentes, sem necessidade de abertura de créditos adicionais. Os projetos agora seguem para sanção presidencial, quando as regras passarão a valer formalmente, caso o presidente sancione.

Especialistas e críticos apontam a necessidade de avaliação de impacto fiscal mais detalhada, e o debate sobre a compatibilidade das medidas com o teto do funcionalismo deve continuar nas esferas políticas e jurídicas, à medida que a regulamentação e a implementação avancem.

Recentes

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

O Informativo Brasil
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.