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Guilherme Mello, indicado por Haddad para diretoria do Banco Central, coordenou plano do PT que propunha regular fluxos de capital e ampliar atribuições do BC

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Indicação de Guilherme Mello reacende debate sobre o papel do Banco Central, a regulação dos fluxos de capital e a inclusão de emprego e desigualdade nas metas da autoridade monetária

Guilherme Mello, atualmente secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi indicado pelo ministro Fernando Haddad para uma diretoria do Banco Central. A escolha provoca reação do mercado, que vê com desconfiança sua relação próxima com o PT e seu perfil ideológico.

Em 2020, Mello foi um dos coordenadores do Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil, do PT, elaborado com Aloizio Mercadante e usado como base do programa de governo de 2022. O documento propõe ampliar o papel da autoridade monetária e regular fluxos de capital.

Essa contextualização e as propostas do plano têm sido pontos centrais nas avaliações sobre a indicação, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

Trajetória e indicação

O economista, que ocupava a secretaria de Política Econômica, foi anunciado por Haddad entre os nomes para preencher uma das vagas na diretoria do Banco Central. A nomeação vem acompanhada de críticas do mercado financeiro, que teme maior intervenção estatal na economia.

Além da ligação partidária com o PT, há preocupação sobre a orientação técnica de Mello, já que ele participou da construção de um documento que questiona o modelo atual de política macroeconômica adotado no país.

O que dizia o plano do PT

O documento coordenado por Aloizio Mercadante e com participação de Mello defendia um Estado mais ativo na economia e a ampliação do papel do Banco Central. Em um dos trechos, o plano afirmava, textualmente, “O Banco Central precisará de instrumentos adequados para cumprir seu papel institucional, que deve ser ampliado para incluir a preocupação com o nível de emprego e com a estabilidade monetária e econômica“.

O plano também propunha mudanças no regime de metas de inflação, com maior peso para o núcleo da inflação que exclui preços voláteis. Havia, ainda, a sugestão de criar “um novo indicador para orientar a taxa Selic”, sem detalhar o índice a ser adotado.

Outra proposta central foi a regulação dos fluxos de capital, defendida como forma de evitar sobrevalorização do câmbio e retomar a indústria. O texto trazia que “Para retomar o desenvolvimento será imprescindível desarmar as armadilhas do passado que sustentaram longos períodos de juros altos e câmbio sobrevalorizado” e propunha “regulação inteligente sobre os fluxos de entrada e saída de capital“.

Desigualdade, bancos e críticas do mercado

O plano exigia que o Banco Central considerasse a redução das desigualdades sociais em suas decisões, afirmando que a autoridade “não pode ser alheia ao grave problema das múltiplas dimensões da desigualdade no Brasil (raça, gênero e renda)“.

Os autores também criticavam o modelo que, segundo eles, beneficiou lucros elevados dos bancos em detrimento do financiamento do consumo e do investimento produtivo, destacando problemas como spreads altos e crédito restrito.

Com a indicação de Mello, o debate público deve se concentrar em como conciliar objetivos de estabilidade macroeconômica com propostas de maior intervenção estatal, e em como o mercado reagirá a eventuais mudanças regulatórias no curto prazo.

Próximos passos

O nome de Guilherme Mello agora segue para os trâmites formais de indicação, e as discussões políticas e técnicas sobre seu perfil e propostas devem marcar as semanas seguintes. Observadores do mercado aguardam sinais da equipe econômica sobre possíveis mudanças na governança do Banco Central e na regulação cambial e de capitais.

As posições oficiais e detalhes sobre eventuais propostas concretas ainda dependem de apresentação formal e de debates internos do governo, enquanto o mercado monitora a agenda para avaliar riscos e impactos.

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