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Inovação brasileira de colágeno em laboratório promete salvar jumentos do ejiao chinês, evitando abates e protegendo Equus asinus com fermentação de precisão

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Pesquisadores do Paraná apresentam técnica que utiliza microrganismos modificados e fermentação de precisão para produzir colágeno em laboratório, com objetivo de reduzir abates e proteger jumentos

A nova técnica brasileira promete transformar a origem do colágeno usado no ejiao, produto muito consumido na China, tornando a produção independente do abate de jumentos.

Pesquisadores apontam que a produção em laboratório, por meio da modificação genética de microrganismos do animal, pode suprir a demanda internacional e reduzir a pressão sobre as populações de Equus asinus.

Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, a técnica foi apresentada em setembro de 2025 no 13º Congresso Mundial de Alternativas e Uso de Animais nas Ciências da Vida, no Rio de Janeiro.

Como a técnica funciona e o que muda na produção de colágeno

O processo descrito envolve a fermentação de precisão, na qual microrganismos são modificados para produzir colágeno em laboratório, eliminando a necessidade de extrair o colágeno diretamente da pele do animal.

Na prática, o colágeno deixaria de ser “extraído” de jumentos e passaria a ser “fabricado” em ambiente controlado, com possibilidade de escalar a produção para atender mercados como o da China.

A expectativa dos pesquisadores é que a tecnologia não apenas evite abates, como também ofereça uma alternativa sustentável para a cadeia que hoje está voltada ao ejiao, gelatina medicinal feita à base de pele de jumentos.

Risco de extinção, números e depoimentos das fontes

Relatórios internacionais indicam que a pressão comercial já causa impacto severo sobre os jumentos. A organização The Donkey Sanctuary registrou que a demanda por pele de jumentos aumentou 160% entre 2016 e 2021, e que em 2021 foi necessário o abate de 5,6 milhões de animais para atender à demanda do produto medicinal.

A mesma organização estima que a demanda continue crescendo e que, em 2027, serão abatidos 6,8 milhões de jumentos, colocando em risco rebanhos no Brasil e no mundo inteiro, e provocando danos ao bem-estar dos animais.

O relatório também alerta sobre riscos sanitários, afirmando, “Todas as vezes que animais são transportados dentro e através de fronteiras nacionais, existe um risco de que levarão e, consequentemente, espalharão doenças danosas aos humanos (zoonoses) e aos animais”, destacando que, no processo, os animais podem apresentar sinais de abandono, má nutrição e maus tratos.

No Brasil, a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos aponta que entre 1996 e 2025 o país perdeu 94% de seu rebanho de asininos, e que desde 2018 cerca de 248 mil jumentos foram mortos, um número que sublinha a urgência de soluções que preservem a espécie.

A BBC também relatou que a alta demanda pelo colágeno de jumentos provocou risco de desaparecimento desses animais na África, continente de origem da espécie.

Contexto histórico e impacto regional

Os Equus Asinus chegaram ao Brasil no ano de 1534 durante uma expedição liderada por Martim Afonso de Souza para a Capitania de São Vicente, e ao longo do tempo tornaram-se a maior população da espécie na América do Sul, com concentração de 90% no Nordeste.

Usados tradicionalmente como meio de transporte, os jumentos começaram a ser substituídos por motos na década de 1990, processo que já havia reduzido sua utilidade econômica antes da pressão recente pelo ejiao.

A Bahia concentra os únicos frigoríficos autorizados para o abate desse tipo de animal, situação que agravou a crise localmente e acelerou a diminuição dos rebanhos.

Potencial da tecnologia e próximos passos

Pesquisadores do Paraná, incluindo equipes ligadas à UFPR, acreditam que a produção de colágeno em laboratório pode transformar o mercado e reduzir a necessidade do abate, permitindo atender a demanda internacional sem destruir populações de jumentos.

A dra. Carla Molento, coordenadora do Laboratório de Bem-Estar Animal e do Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR, alertou sobre a gravidade da situação, afirmando, “Estamos prestes a ficar sem jumentos no Brasil, e não é um comércio que se defenda, nem do ponto de vista puramente pragmático do comércio”.

Ela também disse, “É um beco sem saída. Então seria muito importante que isso fosse parado antes que acabemos com os jumentos, porque só vai parar na hora que acabarmos com eles. Não faz sentido”.

A adoção em larga escala da técnica dependerá de investimentos, regulação e aceitação do mercado, mas a alternativa mostra-se promissora para conciliar demanda por colágeno e conservação de espécies, oferecendo uma solução que une biotecnologia e bem-estar animal.

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