Dólar opera a R$ 5,25, mercado ajusta posições após Ata do Copom, balanços de bancos pressionam ações e ouro sobe por tensão entre EUA e Irã
O mercado financeiro brasileiro abriu a quarta-feira em movimento de ajuste após a Ata do Copom e um dia depois do Ibovespa registrar novo recorde de pontuação.
Na sessão, o câmbio mudou de rumo ao longo do dia e a Bolsa passou a recuar de forma mais intensa, com investidores digerindo dados de bancos e repercussões externas.
As informações sobre a evolução do dólar, do Ibovespa e dos balanços foram consolidadas, conforme informação divulgada pelo UOL.
Dólar e oscilação intradia
No pregão, o dólar operou a R$ 5,25 em meio a volatilidade. Conforme os dados do mercado, a moeda americana abriu o dia em queda, “chegou a 0,55% às 10h12” no comercial para venda, e, por volta das 15h30, reverteu para alta, “subia 0,14%, vendido a R$ 5,257”.
O movimento reflete ajustes de posição e a leitura dos investidores sobre a trajetória futura da taxa de juros doméstica, diante da sinalização do Banco Central sobre cortes próximos.
Ibovespa, realização de lucro e recorde recente
Na véspera, o principal índice da Bolsa brasileira fechou em alta de “1,58%”, alcançando “185.674 pontos”, novo pico de pontuação. Na abertura desta quarta, o indicador cedia “0,37%”, marcando “184.953 pontos”.
Ao longo do dia, porém, a queda se intensificou e, por volta das 15h30, o índice já caía “2,57%”, aos “180.893 pontos”. O movimento é descrito por analistas como realização de lucro após sucessivos recordes, além da volatilidade típica de anos eleitorais.
Balanços de bancos entram no radar
Os resultados do setor bancário chamaram atenção dos investidores. O Santander Brasil abriu a temporada e reportou lucro líquido gerencial de “R$ 4,1 bilhões” para o quarto trimestre de 2025, crescimento de “6%” ante o mesmo período do ano anterior, mas apontou piora da inadimplência.
As ações de bancos recuaram entre 2% e 4% na Bolsa, com investidores cautelosos à espera dos balanços do Itaú Unibanco, que sai após o fechamento do dia, do Bradesco amanhã e do Banco do Brasil no dia 11 de fevereiro. A recomendação para acompanhar os números é unânime, pois eles devem aumentar a volatilidade no curto prazo.
Commodities e fatores externos
O cenário internacional também pressionou os mercados. A tensão entre Estados Unidos e Irã elevou a procura por ativos de proteção, e o ouro para abril subia, chegando a “US$ 4.947” por contrato de 100 onças troy por volta das 15h30, enquanto a prata para março avançava a “US$ 86,41” por onça-troy.
O petróleo seguiu em alta, com o Brent para abril negociado a “US$ 69,55” o barril e o WTI para março em “US$ 65,35”. A alta acompanha riscos geopolíticos e dados que mostraram queda dos estoques americanos de petróleo.
Perspectiva de juros e fluxo estrangeiro
Os investidores também avaliam sinais da autoridade monetária. No texto da Ata do Copom, a diretoria do Banco Central justificou a manutenção da taxa básica em “Selic em 15% ao ano”, mas reforçou a sinalização de cortes a partir de março, alimentando a expectativa de acomodação monetária.
Nesse contexto, “o consenso de mercado já aponta para o início do ciclo de flexibilização em março”, e analistas destacam que a perspectiva de juros mais baixos tende a favorecer ações de varejo, consumo e construção no médio e longo prazo, conforme observou Rafael Pastorello, portfolio manager do Banco Sofisa, e também foi comentado por Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital.
Além disso, a entrada de recursos externos tem sustentado a valorização das ações, com saldo líquido de aportes de estrangeiros na Bolsa em janeiro somando “R$ 26,31 bilhões”, acima dos “R$ 25,47 bilhões” acumulados ao longo de todo o ano passado.
Para os próximos dias, o mercado espera mais volatilidade com a sequência de balanços e com a possível transição para um ciclo de juros mais benéfico à renda variável, mantendo atenção ao câmbio, aos resultados corporativos e ao cenário internacional.