Sabesp afirma ter investido R$ 15,2 bilhões em 2025, ampliou obras em mais de 1.100 trechos e promete reajustes semelhantes aos de estatais, com mitigação pelo fundo Fausp
A Sabesp mais do que dobrou seus investimentos em 2025, em comparação com 2024, e diz ter antecipado metas de saneamento em dezenas de municípios, com obras e ligações ampliadas em ritmo acelerado.
A companhia afirma que os R$ 15,2 bilhões aplicados no ano passado permitiram levar água e esgoto a uma média de 2.400 novas casas por dia, além de entregar estações e tubulações essenciais para o avanço do serviço.
Ao detalhar o avanço, a empresa também afirmou que os reajustes tarifários necessários serão suavizados por um fundo criado pelo governo estadual, conforme informação divulgada pelo UOL.
Investimentos e avanço das obras
A Sabesp relata que investiu R$ 15,2 bilhões em 2025, ante R$ 6,9 bilhões em 2024, um aumento de 120% em um ano, após a privatização de julho de 2024.
Segundo a companhia, há mais de 1.100 obras em andamento. No ano passado, foram entregues 16 estações de tratamento de esgoto e cerca de 800 quilômetros de tubulações, e, na média, a empresa afirma levar água e esgoto a 2.400 novas casas por dia.
A Sabesp cita iniciativas específicas para ilustrar o ritmo, como o caso do Programa Novo Rio Pinheiros, com a frase, “O Programa Novo Rio Pinheiros levou três anos e meio para conectar 650 mil domicílios”.
A empresa diz também ter conseguido atuar em áreas informais após a desestatização, exemplificando com a ligação de água e esgoto na comunidade Vaquejada, em Cidade Tiradentes, onde vivem 2.000 famílias.
Como a tarifa será mitigada
O presidente da Sabesp afirmou que os altos investimentos exigem ajustes na tarifa, mas que esses aumentos serão amenizados por mecanismos públicos, com destaque para o Fausp.
O governo do Estado destinou cerca de R$ 4 bilhões originados da venda da Sabesp, e 100% de sua parte nos dividendos da companhia para o Fausp, Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento no Estado de São Paulo, para repassar à empresa a diferença da tarifa ideal não aprovada pela Arsesp.
Sobre o reajuste aplicado este ano, a Sabesp informou que a tarifa subiu 6,11%, valor que, segundo o governo, ficou 15% abaixo do índice referencial projetado em contrato que simula o comportamento tarifário caso a empresa permanecesse estatal.
O diretor-presidente disse ainda, “A tarifa não vai subir em relação ao que a empresa estatal cobraria”, e resumiu a posição sobre o efeito das alterações, “A tarifa vai subir, mas mitigada.”
Reclamações, cobrança e saldo em aberto
Após a privatização, a empresa registrou aumento nas reclamações, e a direção atribui parte disso a uma cobrança mais ativa por contas em atraso, mudança de comportamento que encontrou resistência entre clientes.
Segundo a Sabesp, o saldo acumulado de contas não pagas chega a R$ 6 bilhões, e, nas palavras do presidente, “Essa mudança de comportamento [cobrança ativa] gera insatisfação”.
Antes da venda, o governo havia anunciado cortes tarifários imediatos, incluindo redução de 10% nas tarifas social e vulnerável, 1% na residencial normal, e 0,5% nas categorias comercial e industrial, medidas que acompanharam a transição para a gestão privada.
Prazo de universalização e perspectivas
A Sabesp afirma ter antecipado a meta de universalização do saneamento no Estado de São Paulo, movendo o prazo de 2033 para 2029, objetivo que foi definido pelo governo estadual como condição para a privatização.
A empresa diz que essas metas superadas só foram possíveis depois da desestatização, e que seguirá equilibrando investimentos, cobrança e o suporte do Fausp para tentar manter o impacto tarifário próximo ao que seria cobrado por uma estatal.
Os dados citados nesta reportagem foram divulgados pela própria companhia e reportados, conforme informação divulgada pelo UOL.