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Rússia pressiona Brasil por contratos de fertilizantes, disputa com China pelo mercado brasileiro e riscos para o agronegócio, abastecimento e política

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Delegação russa se reúne com governo brasileiro em Brasília na 8ª CAN, com foco em fertilizantes, competição com a China e possíveis impactos eleitorais e comerciais

Uma reunião da cúpula Brasil-Rússia em Brasília nesta quinta-feira concentra um embate econômico que pode redefinir fornecimentos para o setor agrícola, com pressão russa para manter fatias do mercado de fertilizantes.

O encontro ocorre em meio a uma mudança na oferta global de insumos, com a China ampliando vendas ao Brasil e alterando a pauta logística e de preços que governa a importação de fertilizantes.

Entre os presentes estão o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, com debate previsto entre a ministra russa Oksana Nikolaevna Lut e o ministro da Agricultura Carlos Fávaro, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

Contexto, números e mudança de fornecedores

O Brasil é hoje um grande importador de insumos agrícolas, e a dinâmica de compras mudou nos últimos anos. Em 2024, “o Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos, ao custo de US$ 13,5 bilhões. A Rússia respondeu por 27,3% desse volume, enquanto a China ficou com 14,2%”, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.

Em 2025, as importações cresceram, “as importações subiram para 45,5 milhões de toneladas, com desembolso de US$ 15,5 bilhões. Nesse novo cenário, a participação russa caiu para 25,9%, enquanto a chinesa avançou para 18,8%”, reforçando a percepção de competição estratégica entre Rússia e China pelo mercado brasileiro de fertilizantes.

Pressão russa e interesses geopolíticos

A presença russa na 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação, conhecida como CAN, é vista como tentativa de evitar perda adicional de mercado para a China. Para especialistas, a movimentação russa vai além de simples disputa comercial, tocando interesses geopolíticos mais amplos.

Conforme avalia Cezar Roedel, mestre em relações internacionais pela UFRGS, “A Rússia não está buscando aproximação por preocupação direta com substituição, mas sim por outras pautas. Houve uma mudança no perfil dos nutrientes demandados e fatores logísticos que já reconfiguraram o cenário até 2025”. Roedel considera difícil que Moscou reverta totalmente a perda de espaço frente à capacidade produtiva chinesa.

Impactos domésticos, logísticos e eleitorais

No plano interno, analistas estimam que a disputa por fertilizantes tende a ganhar espaço no debate público, sobretudo em ano eleitoral. A capacidade do governo em mostrar diversificação de fornecedores e investimento em produção local pode virar fator de pressão política, dado o peso do agronegócio na economia.

Produtores brasileiros também ajustaram compras, optando por produtos de menor concentração de nutrientes para reduzir custos, movimento que favoreceu fornecedores com maior escala e flexibilidade logística, especialmente a China.

Relevância russa mesmo com perda relativa

Para a diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patrícia Arantes, apesar da redução da participação russa, a Rússia segue relevante no mercado global de fertilizantes. “A produção de fertilizantes é um mercado concentrado em regiões que incluem boa parte da Rússia”, afirmou Arantes, lembrando que a influência russa pode permanecer via oferta a outros grandes exportadores e controle de preços.

O cientista político Elton Gomes, da UFPI, destaca que o avanço chinês “dá ao país capacidade de influência significativa, sobretudo sobre nações agrícolas exportadoras, como o Brasil”. A dependência brasileira do agronegócio torna o país sensível a mudanças de fornecedores, e a venda russa de fertilizantes ainda cumpre papel financeiro estratégico para Moscou.

No curto prazo, a reunião em Brasília deve mostrar até que ponto o Brasil consegue equilibrar fornecedores e reduzir riscos, enquanto a disputa entre Rússia e China pela fatia brasileira de fertilizantes segue como peça central de uma disputa geopolítica maior.

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