Dólar recua 0,64% a R$ 5,220, enquanto Ibovespa avança 0,45% e mercado avalia queda das vagas nos EUA, além de movimentações em ouro, prata e petróleo
O dólar fechou em queda no último pregão da semana, recuando para a casa dos R$ 5,22 após operar em torno da estabilidade durante a maior parte do dia.
A Bolsa de Valores brasileira subiu, com o Ibovespa encerrando o dia próximo de 183 mil pontos, em sessão marcada por realização de lucros e reações a dados americanos.
Os movimentos no mercado doméstico refletem avaliação sobre o cenário externo, sobretudo o menor nível de vagas abertas nos Estados Unidos e sinais sobre a trajetória da atividade econômica, conforme informação divulgada pelo UOL.
Como ficou o dólar e por que caiu
No fechamento, o dólar comercial operou em queda de 0,64%, cotado para venda a R$ 5,220, o que representa a menor cotação desde 29 de fevereiro, quando estava em R$ 5,194.
A moeda passou o dia em torno da estabilidade e só perdeu força no meio da tarde, em sessão em que parte dos investidores procurou reduzir posições em dólar diante de notícias sobre a economia americana.
Desempenho da Bolsa e fluxo de investimentos
O Ibovespa, principal índice de ações do Brasil, fechou em alta de 0,45%, aos 182.949 pontos. A semana foi de volatilidade, com recorde histórico na terça-feira, a 185.674 pontos, seguida de forte recuo na quarta e pequena recuperação na quinta.
Profissionais de mercado atribuem as oscilações em boa parte à realização de lucros, com investidores vendendo papéis que tiveram alta no ciclo recente. O ciclo de alta apresentou ganhos de 34% em 2025 e 12,5% em janeiro, segundo operadores.
“Vemos uma perspectiva positiva para mercado de capitais. Com cenário de juros em baixa, já vemos alguma migração de recursos da renda fixa para produtos híbridos e outros produtos de equity ganhando força. Depois de um 2025 que começou com incertezas sobre o fluxo para a Bolsa e surpreendeu positivamente, 2026 já tem se mostrado forte.”, disse Guilherme Maranhão, presidente do fórum de estruturação de mercado de capitais da Anbima.
Commodities e influência externa
No mercado de metais preciosos, o ouro recuperou parte das perdas da véspera, com o contrato para abril para 100 onças troy (31,1 gramas) fechando com alta de 1,85%, a US$ 4.979. A prata para março subiu 0,23%, a US$ 76,89 por onça-troy.
O petróleo também avançou, com o Brent para abril fechando em alta de 0,74%, a US$ 68,05, e o WTI para março variando 0,41%, a US$ 63,55 o barril. Entre os fatores citados pelo mercado estão tensões geopolíticas que afetam oferta e a queda dos estoques americanos de petróleo.
Reação a dados dos EUA e riscos geopolíticos
Os agentes avaliam com atenção a redução das vagas abertas nos EUA ao menor patamar em cinco anos, o que elevou a demanda por dólares e por títulos do Tesouro americano por medo de uma desaceleração mais forte que a prevista pelo Federal Reserve.
Além disso, investidores monitoram negociações entre Estados Unidos e Irã, com mediação de Omã, na tentativa de superar diferenças sobre o programa nuclear de Teerã, cenário que também pesa sobre preços de petróleo e apetites por risco.
Em resumo, o dia combinou queda do dólar, leve alta do Ibovespa e impactos em commodities, em um ambiente que segue sensível a dados econômicos americanos e a eventos geopolíticos.