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Lula diz que PT ‘não está com essa bola toda’ e pede alianças para além da esquerda, critica emendas impositivas, e reforça aproximação com periferias e evangélicos

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Lula defende acordos táticos para vencer, cobra autocrítica do PT sobre emendas impositivas e pede mais presença nas periferias e junto a evangélicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez cobranças públicas ao Partido dos Trabalhadores, criticou disputas internas e enfatizou a necessidade de alianças políticas mais amplas para a disputa de outubro.

Em Salvador, durante a celebração dos 46 anos do PT, Lula afirmou que o partido não pode prescindir de acordos nos estados e pediu que a legenda se fortaleça socialmente, com atuação nas periferias e diálogo com diferentes segmentos.

O pronunciamento também incluiu críticas às emendas impositivas, alertas sobre a política monetária e defesa de uma diplomacia multilaterial, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

Cobranças internas e defesa de alianças

Ao traçar a estratégia eleitoral, Lula disse que o PT “não está com essa bola toda“, para mostrar que é necessário construir alianças fora do espectro da esquerda. Segundo ele, “um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país”.

O presidente pediu que o partido faça autocrítica e evite disputas que corroam sua unidade, lembrando que é preciso fortalecer a legenda como instituição, e não apenas a figura pessoal dele.

Críticas às emendas impositivas e à autonomia do Banco Central

Lula cobrou que o PT não repita erros como apoiar as chamadas emendas impositivas, e classificou o volume desses recursos como um “sequestro” do Orçamento do Executivo por parlamentares, com impacto sobre a capacidade de governar.

A resolução divulgada pelo Diretório Nacional do PT também ataca a autonomia do Banco Central, afirmando que os juros permanecem em patamar “restritivo” e incompatível com o desenvolvimento do país. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

O texto lembra que, em janeiro, o Comitê de Política Monetária indicou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na próxima reunião, prevista para março, e cita críticas internas ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, por não acelerar a redução da taxa.

Estratégia eleitoral, periferias, evangélicos e política externa

Lula ressaltou que “É o partido que tem que ser forte, não é o Lula. O Lula é uma pessoa física, vocês são uma pessoa jurídica que não pode acabar”, e defendeu maior presença do PT nas periferias e aproximação com o público evangélico, observando que muitos desses eleitores recebem benefícios do governo federal.

Em tom mais combativo, o presidente afirmou que “A eleição vai ser uma guerra e temos que estar preparados para ela para ganhar em alto nível. Saibam que estou motivado para cacete porque o que está em jogo não é só ganhar as eleições, precisamos pensar em um outro projeto para esse país, para despertar os corações”.

Além das críticas domésticas, a resolução do PT manifestou apoio a Cuba e à Venezuela, condenando intervenções externas na região. Lula declarou, sobre Cuba e Venezuela, “Nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles e nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar. Temos de dizer, em alto e bom som, que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo Trump”.

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