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Looking Glass e E-6 Mercury, como os aviões de comando nuclear dos EUA voavam 24 horas por dia na Guerra Fria e mantêm prontidão hoje

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Operação Looking Glass, o quartel-general aerotransportado que garantia comando contínuo, a transição do EC-135 para o E-6 Mercury e o risco real de um alarme nuclear

A Operação Looking Glass transformou aviões em centros de comando para garantir que, mesmo com centros em terra destruídos, os Estados Unidos pudessem receber e executar ordens nucleares.

Durante praticamente três décadas, os EUA mantiveram pelo menos uma aeronave em voo permanente, com horários coordenados para não deixar um único minuto sem cobertura aérea.

Essas informações foram divulgadas pelo Todos a Bordo, e explicam como o sistema evoluiu do EC-135 para o E-6 Mercury, e por que incidentes como o falso alarme de 1983 reforçaram a necessidade de redundância no comando, conforme informação divulgada pelo Todos a Bordo.

O que era a Looking Glass?

A Operação Looking Glass começou em 1960, e consistiu em manter aeronaves como postos de comando aerotransportado prontos para assumir o controle das forças nucleares caso centros terrestres fossem atacados.

A partir de 1961, os aviões decolavam com horários rígidos para que não houvesse sequer um minuto sem cobertura aérea, garantindo que sempre houvesse um oficial general a bordo capaz de comandar ataques nucleares.

Os aviões não levavam armamento nuclear a bordo, mas abrigavam sistemas e oficiais para transmitir ordens diretamente a silos e outros vetores, funcionando em paralelo com a base aérea de Offutt, no Nebraska.

EC-135, o quartel-general voador

O principal avião da operação foi o EC-135, versão modificada do KC-135, derivado do Boeing 707, que abrigava um complexo centro de comando e comunicações no interior da fuselagem.

A aeronave contava com sistemas de rádio em múltiplas frequências, operadores de comunicações e o Oficial de Ação de Emergência Aerotransportada, general responsável por executar ordens presidenciais se os comandos em solo fossem destruídos.

Para ampliar a permanência no ar, o EC-135 frequentemente fazia reabastecimento em voo, e a operação manteve voos ininterruptos até 1990, quando o alerta contínuo foi encerrado em um contexto de redução das tensões da Guerra Fria.

Transição para o E-6 Mercury e funções atuais

Com a queda da União Soviética, os EUA substituíram a presença permanente por um sistema de prontidão e transferiram a missão da Força Aérea para a Marinha, usando o E-6 Mercury.

A transição foi concluída em 1998, e o E-6 Mercury consolidou funções de comando e comunicação, incluindo a capacidade de retransmitir ordens para mísseis balísticos intercontinentais e para a força de submarinos nucleares.

Ficha técnica citada pela fonte, sobre o E-6B Mercury, inclui: primeiro voo, Outubro de 1998, preço unitário, US$ 141,7 milhões (R$ 737,1 milhões), comprimento, 45,8 metros, altura, 12,9 metros, envergadura, 45,2 metros, peso máximo de decolagem, 154 toneladas, tripulação, 20 a 22 militares a bordo, velocidade, até cerca de 980 km/h.

Risco, o falso alarme de 1983 e o cálculo estratégico

Em setembro de 1983, um sistema de alerta soviético indicou erroneamente o lançamento de mísseis dos Estados Unidos, por falha na interpretação de sinais de satélite, e a decisão de não retaliar evitou uma escalada potencialmente catastrófica.

Para o professor Oliver Stuenkel, da FGV-SP e pesquisador do Carnegie Endowment, “Para mim, esse é um dos momentos mais emblemáticos da Guerra Fria. A Rússia, aliás, teve um programa semelhante”.

Stuenkel alerta que, mesmo com o fim da Guerra Fria, o risco nuclear permanece, “Eu acho que a situação, obviamente, mudou com o fim da Guerra Fria, mas a tecnologia nuclear existe até hoje e estamos diante da política externa de Trump, temos um risco crescente de uma proliferação nuclear entre aliados tradicionais dos Estados Unidos, que não podem mais confiar na proteção dos Estados Unidos”.

Ele afirma ainda que decisões individuais foram determinantes para evitar catástrofes, “Se algumas pessoas tivessem tomado decisões diferentes, a gente, de fato, poderia ter tido um confronto nuclear”.

Hoje, a lógica que sustentou a Looking Glass permanece, com a necessidade de redundância, prontidão e comunicações resistentes para reduzir o risco de erros técnicos ou humanos que possam levar ao pior cenário possível.

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