Relatório entregue a Edson Fachin motivou reação de senadores e deputados, com críticas de Alessandro Vieira, pedidos de impeachment e convocação de envolvidos
Parlamentares da oposição reagiram de forma imediata ao pedido da Polícia Federal para que o ministro Dias Toffoli seja afastado da relatoria do inquérito sobre o Banco Master.
A solicitação da PF, segundo a reportagem, decorre de menções ao magistrado encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco, e do relatório entregue ao presidente do STF, Edson Fachin.
Os deputados e senadores afirmaram que vão ampliar os pedidos de investigação e falaram em impeachment, quebra de sigilos e convocações, conforme informação divulgada pelo UOL e confirmada pela Gazeta do Povo.
Reações públicas da oposição
O senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, qualificou o episódio com uma expressão já usada na política, dizendo, “o Toffolão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema”.
Ele anunciou que, na semana após o Carnaval, a CPI votará requerimentos para quebra de sigilos e convocações dos envolvidos, afirmando que “O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”.
O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que os parlamentares do partido vão “cumprir nossa obrigação e apresentar outro pedido de impeachment” e declarou, “Em qualquer país sério, Toffoli já teria sido afastado, estaria sob investigação e, diante das evidências, provavelmente preso”.
A senadora Damares Alves disse que o grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos foi recebido por Rodrigues e Fachin e que ambos “demonstraram compromisso com a verdade e a transparência”. Ela completou, “Quem apostou na impunidade vai se dar muito mal”.
O pedido da Polícia Federal e o material apreendido
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF o relatório que motivou o pedido de declaração de suspeição contra o ministro responsável pelo caso.
Segundo a apuração, menções a Toffoli foram encontradas no celular de Daniel Vorcaro, o que levou as equipes a sugerirem o afastamento temporário da relatoria enquanto as apurações seguem.
Em reação, o gabinete do ministro informou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.
Demandas por impeachment e pressão nas ruas
Deputados ligados à oposição engrossaram o coro por medidas mais duras. Kim Kataguiri disse que “os agentes da PF estão arriscando suas carreiras e suas vidas” e afirmou, “Agora cabe à gente mobilizar a população para pressionar o sistema. Nós precisamos voltar para as ruas e derrubar Dias Toffoli!”
Marcel van Hattem anunciou que um novo pedido de impeachment já está sendo redigido, em tom de urgência, com a declaração, “Já estamos redigindo o impeachment de Dias Toffoli para protocolar imediatamente. Deu! Impossível o país assistir a um absurdo desses sem que se tomem as devidas providências. Impeachment de Toffoli, já!”
O senador Carlos Portinho afirmou esperar que o pedido da PF “inspire os senadores que ainda não assinaram o impeachment de Toffoli a fazê-lo”, e declarou, “O que fizeram com a mais alta Corte do país!? Vergonha”.
Contexto institucional e defesa de ministros
Em meio à crise, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou em janeiro três representações da oposição que pediam o afastamento de Toffoli, dizendo que o caso já estava sendo apurado no STF e que “não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”.
O episódio também reacendeu o debate sobre condutas de magistrados fora da Corte, depois que o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões para representar o banco de Vorcaro.
Alexandre de Moraes e o próprio Toffoli defenderam limites à vedação de recebimento por palestras e participação societária, e Toffoli saiu em defesa de juízes “donos de empresas” e “fazendeiros”, enquanto operações mostraram que empresas ligadas a parentes de Toffoli tinham como sócio um fundo de investimentos conectado, de forma indireta, ao Banco Master.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança resumiu a leitura política, afirmando que as novas notícias “deixam claro, o caso Banco Master não é um ponto fora da curva, é sintoma de algo estrutural” e defendendo reformas no Judiciário para recuperar a confiança nas instituições.
Próximos passos e desdobramentos esperados
Com o relatório já nas mãos do presidente do STF, parlamentares da oposição prometem ampliar a pressão institucional e pública, com pedidos de impeachment, quebras de sigilo e convocações. A tramitação dessas iniciativas deve acelerar após o Carnaval.
Do lado institucional, caberá ao STF avaliar o pedido da Polícia Federal e decidir sobre eventual suspeição ou manutenção da relatoria de Toffoli, enquanto as investigações seguem na PF e em outros órgãos de controle.
O caso permanece em evolução, com desdobramentos previstos tanto na esfera judicial quanto no Congresso, em um ambiente político já marcado por críticas à atuação de ministros e pedidos de transparência nas apurações.