Mercados repercutem recuo dos serviços, moeda americana sobe após abrir em baixa e ações do Banco do Brasil se destacam na B3
Após abertura em queda, o dólar passou a operar em alta, enquanto o Ibovespa vive sessão de ajustes depois de bater recorde na véspera.
O movimento nos ativos ocorre com o mercado digerindo dados do setor de serviços divulgados pelo IBGE, que mostram desaceleração em 2025, e com resultados do Banco do Brasil que surpreenderam no quarto trimestre.
Os números e análises que embalam o pregão foram compilados a partir do relatório divulgado à imprensa, conforme informação divulgada pelo UOL.
Como ficou o câmbio e a bolsa
O dólar, que abriu em baixa, passou a registrar apreciação ante o real, sendo cotado às 14h50 a R$ 5,196, variação de 0,17% ante o fechamento anterior, quando recuou ao menor patamar desde maio de 2024.
O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,33% na abertura, marcando 189.068 pontos, e, perto de completar cinco horas de negócio, operava em 0,55%, em torno de 188.649 pontos.
A bolsa testa o apetite dos investidores depois de registrar o 11º recorde de pontuação no ano, ao atingir 189.699 pontos ontem, alta de 2,03% em relação ao pregão anterior, superando o recorde anterior de 186.241 pontos de 9 de fevereiro.
Dados do setor de serviços preocupam e explicam parte da movimentação
A Pesquisa Mensal de Serviços divulgada pelo IBGE mostrou que o setor de serviços prestados no Brasil recuou 0,4% em dezembro, na comparação com novembro, fechando 2025 com variação positiva anual de 2,8%.
O resultado representou desaceleração ante o avanço de 3,1% apurado em 2024. Atividades dependentes da renda das famílias foram menos impactadas pela alta dos juros, o que tem sustentado a resiliência da inflação e preocupado o Banco Central.
Na avaliação de especialistas ouvidos pelo mercado, a trajetória futura do setor pode influenciar a condução da política monetária. Em palavras extraídas da análise, Rodolfo Margato, economista da XP, disse, “Acreditamos que o setor de serviços deve retomar a trajetória de crescimento nos próximos meses, em linha com a desaceleração da inflação, o aumento da renda disponível e a queda gradual das taxas de juros. O setor de serviços deve continuar sendo o principal motor da economia brasileira. O aumento da renda real do trabalho e as medidas de estímulo econômico tendem a sustentar a expansão do setor terciário. Assim, projetamos que a receita total de serviços cresça 3% em 2026, após o avanço de 2,8% em 2025.”
Rafael Pastorello, gestor de recursos do Banco Sofisa, alertou que, “Se o arrefecimento do setor de serviços seguir consistente nas próximas divulgações, o resultado pode ser positivo sob a ótica da condução da política monetária, sobretudo porque o Banco Central tem reiterado sua preocupação com um hiato do produto mais positivo.”
Banco do Brasil lidera altas, apesar de lucro anual em queda
As ações do Banco do Brasil dispararam na abertura, subindo 7,67%, para R$ 26,82, após a divulgação do balanço que trouxe surpresa positiva no trimestre final de 2025.
O lucro líquido ajustado anual do banco caiu 45,4% em 2025 ante 2024, atingindo R$ 20,7 bilhões, impacto explicado pelo aumento do custo do crédito, que ficou em R$ 61,9 bilhões no ano, pressionado pela piora do risco de crédito, especialmente no agronegócio.
No quarto trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado do banco foi de R$ 5,7 bilhões, resultado 51,7% superior ao trimestre anterior e acima das estimativas do mercado, que apontavam ganho ao redor de R$ 4 bilhões.
O Banco do Brasil também divulgou guidance para 2026, projetando um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, e a presidente Tarciana Medeiros afirmou que a instituição buscará crescer em qualidade e rebalancear o mix da carteira de crédito, mirando linhas cada vez mais seguras.
Commodities caem com cenário externo mais favorável ao fornecimento
No mercado internacional, o preço do petróleo virou para queda, com o Brent para abril recuando 3,1%, cotado a US$ 67,26 às 14h50, e o WTI para março caindo 3,2%, para US$ 62,56 o barril.
A Agência Internacional de Energia projeta recuperação da oferta global nos próximos meses, após retração forte em janeiro por uma severa tempestade de inverno nos EUA e restrições que reduziram fluxos do Casaquistão, da Rússia e da Venezuela.
Metais preciosos também recuaram, com o contrato de ouro para abril por 100 onças troy cendendo 2,6%, a US$ 4.966, e a prata para março caindo 9,8%, a US$ 75,67 por onça-troy, em um dia de menor tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e acomodação da demanda.
No conjunto, os dados do IBGE e os balanços corporativos moldam um pregão de ajustes, com investidores avaliando sinais sobre inflação, crescimento e a qualidade dos lucros no Brasil.