Setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB, fechou 2025 com alta anual de 2,8%, mas registrou recuo de 0,4% em dezembro na comparação com novembro, aponta IBGE
O setor de serviços no Brasil encerrou 2025 com expansão anual, porém em ritmo mais lento que em 2024.
O volume de serviços cresceu 2,8% em 2025 ante 2024, após variação negativa de 0,4% em dezembro ante novembro, segundo os dados oficiais.
As informações apontam para uma economia que se manteve resiliente, com diferenças entre ramos que puxaram o resultado para cima e outros que pressionaram para baixo, conforme dados divulgados pelo IBGE.
Desempenho anual e leitura mensal
De acordo com o IBGE, o setor de serviços prestados no Brasil recuou 0,4% em dezembro, na comparação com novembro, fechando 2025 com variação positiva anual de 2,8%. Foi o quinto ano seguido de expansão, embora abaixo da taxa de 3,1% verificada em 2024.
No confronto com igual mês do ano anterior, o volume de serviços cresceu 3,4% em dezembro de 2025, vigésimo primeiro resultado positivo consecutivo nessa base de comparação.
O setor interrompeu nove meses consecutivos de crescimento mensal até novembro, quando já havia apurado estagnação, e em dezembro houve a retração de 0,4% que puxou o mês para baixo.
Quais atividades sustentaram o resultado
Entre os ramos, a contribuição positiva mais importante veio do segmento de informação e comunicação, com avanço de 5,5%, impulsionado por portais, provedores de conteúdo, desenvolvimento e licenciamento de softwares, e serviços relacionados a tecnologia da informação.
Outros ramos com desempenho positivo em 2025 foram transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com expansão de 2,3%, profissionais, administrativos e complementares, com 2,6%, e serviços prestados às famílias, com 1,1%.
Em contraste, serviços financeiros pressionaram negativamente o conjunto, com o grupo de outros serviços recuando 0,5%, afetado pela menor receita de atividades auxiliares dos serviços financeiros, administração de cartões de crédito, e corretores e agentes de seguros.
Impactos estruturais e comentários de especialistas
O IBGE registra que o setor de serviços se encontra 19,6% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia), e que essas atividades estão, entretanto, 0,4% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em novembro de 2025.
Na avaliação de especialistas, a dinâmica decorre de fatores conjunturais e estruturais. Conforme a fonte, “O fato de o setor de serviços ter crescido 2,8% em 2025, mesmo após elevação de 3,1% em 2024, demonstra como a economia brasileira seguiu resiliente ao longo do ano passado. Essa dinâmica deriva de fatores conjunturais e estruturais. A safra recorde de 2025, por exemplo, contribuiu para a sustentação dos serviços de transporte, enquanto o processo estrutural de digitalização da economia tem impulsionado a atividade de serviços de informação e comunicação”, Luiz Otávio Leal, economista da G5 Partners.
Também destacado, “Os serviços prestados às famílias tiveram a terceira alta seguida, em desempenho que reflete a melhora da renda sustentada por um mercado de trabalho sólido, desemprego em mínimas históricas e salários crescendo acima da inflação, além da expansão das transferências sociais e do impulso sazonal associado ao pagamento do décimo terceiro”, Rafael Perez, economista da Suno Research.
Riscos no curto prazo e leitura para os próximos meses
Na comparação mensal, a queda de 0,4% em dezembro foi determinada principalmente por transportes, que registrou recuo de 3,1% com retrações em todos os segmentos investigados, terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), aéreo (-5,5%), e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%).
Outros serviços recuaram 3,4% em dezembro, enquanto serviços profissionais e administrativos caíram 0,3%. As únicas taxas positivas no mês vieram de informação e comunicação, com 1,7%, e serviços prestados às famílias, com 1,1%.
Segundo analistas, “À medida que o setor de serviços dá sinais de perda de tração, essa dinâmica tende a se refletir de forma mais evidente nos indicadores de atividade econômica. Ainda assim, os serviços seguirão como o principal pilar de sustentação da economia nos próximos meses, evitando uma queda mais intensa da atividade”, Rafael Perez, economista da Suno Research.
A pesquisa que fornece esses números, a Pesquisa Mensal de Serviços, acompanha a receita bruta de empresas formais com 20 ou mais pessoas ocupadas em atividades de serviços não financeiros, e exclui saúde e educação, sendo divulgada pelo IBGE mensalmente desde 2012.
Os resultados mostram um setor amplo, com 53,6% dos 166 tipos de serviços investigados apresentando taxas positivas em 2025, o que indica recuperação dispersa entre atividades, mas com sinais de enfraquecimento no fim do ano.