Depoimento de Vorcaro manterá foco em empréstimos consignados, porém perguntas sobre o relacionamento com Toffoli, e o compartilhamento de dados pela PF e STF, serão incluídas
O depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à CPMI do INSS, marcado para 26 de fevereiro, foi confirmado, e poderá ganhar perguntas sobre sua relação com o ministro Dias Toffoli.
A estratégia oficial, segundo o relator, seguirá centrada nas operações de crédito consignado, mas as supostas conversas reveladas pela Polícia Federal não devem ficar de fora.
Conforme informação divulgada pela Folha de S. Paulo, o relator Alfredo Gaspar disse que os fatos envolvendo Vorcaro colocam “mais holofote” sobre a oitiva, mantendo, no entanto, o foco nos empréstimos consignados.
O que muda no teor do depoimento
O relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar, afirmou que a linha principal do depoimento não se altera, contudo, admitiu que as mensagens e supostas conversas com o ministro Toffoli serão abordadas.
Em entrevista, Gaspar afirmou, “Vorcaro vai ser ouvido sobre os empréstimos consignados. A estratégia do depoimento não muda absolutamente nada em relação às investigações. Evidentemente que esses fatos [referentes a Vorcaro] colocam mais holofote ainda no momento de chegada dele à CPMI. Tem todo um desdobramento que é natural, mas sempre com um foco nos empréstimos consignados”.
Pedido de compartilhamento de dados ao STF
Além das perguntas ampliadas, o relator solicitou formalmente que o Supremo Tribunal Federal compartilhe com a CPMI os dados telefônicos e telemáticos de Vorcaro.
Gaspar pediu, “Imediatamente devolva à CPMI o pleno conhecimento do material que teve o sigilo afastado relacionado ao Vorcaro, como sigilo telemático e o sigilo telefônico”, e disse que outros colegiados, como a CPI do Crime Organizado e a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, também pressionam por esse acesso.
Na prática, os parlamentares esperam usar esses registros para pressionar Vorcaro a esclarecer eventuais conexões com o ministro e com outras pessoas citadas nas investigações.
Saída de Toffoli da relatoria e consequências
As mensagens descobertas pela Polícia Federal, que indicam proximidade entre Toffoli e Vorcaro, levaram o ministro a abrir mão da relatoria de casos relacionados ao Banco Master no STF, segundo a reportagem.
Após duas reuniões convocadas pelo presidente do STF, Edson Fachin, o colegiado optou por evitar uma suspeição que pudesse anular atos, e, por sorteio, o ministro André Mendonça passou a relatar os processos referentes ao Banco Master.
O cenário amplia o interesse público sobre a oitiva de Vorcaro, que agora deve responder tanto questões técnicas sobre **empréstimos consignados**, quanto sobre o **relacionamento com Toffoli** e os conteúdos apontados pela Polícia Federal.