Caso envolve menino de 4 anos e bebê de 2 anos, saída do abrigo nesta sexta, entrega aos avós maternos em Canguçu, pais seguem proibidos de se aproximar
Duas crianças, um menino de quatro anos e uma bebê de dois anos, deixaram o abrigo municipal em Arroio Grande, e foram entregues aos avós maternos nesta sexta-feira (13).
Os pais, que tiveram as visitas suspensas por decisão judicial a pedido do Ministério Público, afirmam que vão recorrer das medidas, mas continuam proibidos de se aproximar das crianças.
As informações sobre a saída do abrigo e a guarda foram relatadas à imprensa local, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que aconteceu na última visita
Segundo a decisão judicial obtida pela reportagem, a última visita assistida ocorreu na manhã de 30 de janeiro, data do aniversário de dois anos da criança mais nova, mas foi interrompida pela equipe do abrigo.
O documento cita que o abrigo indicou “necessidade de interrupção de visita externa, em razão de comportamento inadequado dos requeridos”, e que o Ministério Público solicitou a “imediata suspensão do direto de visitas”, inclusive durante a festa de aniversário marcada para a tarde.
O juiz afirmou ter “recebido com surpresa e perplexidade” o pedido da Casa de Passagem e do MP, por entender que ele contraria o comportamento até então exemplar atribuído aos pais.
Versão da família e relatos contraditórios
Fontes próximas à família relataram outra versão, dizendo que a visita durou cerca de cinco minutos e que a festa no abrigo foi proibida, com presença de viaturas policiais em frente ao local.
De acordo com esses relatos, o menino de quatro anos teria tentado proteger a mãe e a irmã, chegando a jogar terra no rosto de um conselheiro tutelar para afastá-lo, enquanto um influenciador digital que acompanhava o caso, Daniel Borges, filmava o episódio.
A defesa afirma que as versões oficiais e os registros do abrigo impedem a comprovação por parte dos pais, já que foi estipulado que não houvesse gravação de imagens, e que, segundo o abrigo, problemas técnicos nas câmeras impediram a recuperação das imagens.
Posição dos advogados e ações feitas
Os advogados de defesa informaram que recorreram de todas as decisões, impugnaram laudos do Ministério Público, impetraram habeas corpus e pediram suspeição do juiz, medidas que teriam sido negadas até o momento.
O advogado Rodrigo Martins Soares, que atuava no caso e precisou se afastar por motivos pessoais, afirmou que os avós maternos são os autores da ação judicial que culminou na retirada das crianças, e que eles residem na região rural do município de Canguçu, a cerca de três horas de viagem pelas estradas locais.
Martins Soares também relatou, em vídeo publicado na internet, a ocorrência de diversos abusos do Estado no processo e citou ao menos 50 dispositivos legais que teriam sido violados.
Decisões oficiais e próximos passos
O abrigo relatou que a visita foi encerrada por “conduta verbal ofensiva e alteração comportamental por parte dos genitores”, e que as crianças foram recolhidas para a “preservação de sua integridade emocional”. O texto diz também que “não houve resistência, oposição ou alteração comportamental por parte das crianças no momento da retirada”.
A família diz que vai seguir com recursos e que buscará reverter a decisão sobre a guarda e a proibição de visitas. Autoridades locais, segundo a defesa, ainda não teriam se manifestado de forma clara sobre o caso.
O caso das crianças retiradas dos pais em Arroio Grande segue em andamento na esfera judicial, com tensão entre relatos do abrigo, posicionamento do Ministério Público e versões apresentadas pela defesa e por pessoas próximas à família.