Dois integrantes do conselho fiscal apontados por Ibaneis Rocha e pelo fundo Borneo da Reag deixaram os cargos, em meio a suspeitas que envolvem operações com o Banco Master e investigação policial
Dois conselheiros fiscais do BRB renunciaram ontem aos seus cargos, em um desenvolvimento que acende novos focos de atenção sobre as indicações políticas e as relações do banco com o mercado.
Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos, membro titular, e Celivaldo Elói Lima de Sousa, suplente, divulgaram nota oficial com as renúncias e negaram vínculo com o fundo Borneo, ligado à Reag Investimentos.
As informações sobre as saídas e os esclarecimentos dos conselheiros foram divulgadas pelas fontes citadas na matéria, conforme informação divulgada pelo UOL.
Renúncia e posicionamento dos conselheiros
Vasconcelos e Sousa afirmaram que só tomaram ciência da indicação pelo fundo no dia 11, após fato relevante do BRB, embora a indicação do Borneo conste na ata em que foram eleitos em março do ano passado.
Em nota, Sousa declarou, “Declaro que desconheço integralmente tal indicação pelo fundo Borneo“, e repudiou “qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo“. Vasconcelos afirmou, na mesma linha, que não possui “qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca do referido fundo, tampouco conheço seus representantes ou administradores“.
Quem indicou, e porque a questão é relevante
Os dois conselheiros foram inicialmente emplacados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que também indicou sua chefe de gabinete, Juliana Monici Souza Pinheiro, para o conselho. Posteriormente, o fundo Borneo, da Reag, passou a constar como indicante na ata da eleição.
Ibaneis e Juliana tornaram-se réus em processo sigiloso aberto pela CVM, o que aumenta a sensibilidade das nomeações. O Conselho Fiscal tem a função de fiscalizar a gestão do banco, questionar resultados e solicitar documentos e explicações à diretoria, papel central em momentos de suspeita.
Relações com o Banco Master, operações e investigações
A Reag é investigada pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, sob suspeita de abrigar fundos usados para sonegação fiscal no setor de combustíveis. O BRB iniciou compras de carteiras do Banco Master em meados de 2024.
Segundo investigação da Polícia Federal, só entre janeiro e junho de 2025, o BRB comprou do Master R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes, valor mencionado nas apurações. O BRB tentou adquirir o Master, operação que foi barrada pelo Banco Central em setembro, e meses depois o Master foi liquidado extrajudicialmente, com o controlador Daniel Vorcaro preso por dez dias e depois submetido a medidas cautelares.
O BRB divulgou em fato relevante que “conduz suas atividades com responsabilidade, ética e transparência, e reitera seu compromisso de manter seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre atos e fatos relevantes“, trecho citado na matéria original.
Impactos e desdobramentos esperados
Apesar das suspeitas envolvendo relações entre o Master e o BRB, até agora o Conselho Fiscal não teria questionado decisões da diretoria, conforme apurado, o que gera dúvidas sobre a fiscalização interna do banco.
Com as renúncias, o BRB terá de preencher as vagas no conselho fiscal, e a movimentação tende a atrair atenção da CVM, da Polícia Federal e do mercado, enquanto as investigações sobre Reag, Master e eventuais irregularidades seguem em curso.
As informações e citações foram extraídas da cobertura mencionada na fonte, conforme informação divulgada pelo UOL.