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Presidente interino José Jerí destituído pelo Congresso do Peru, acusado de tráfico de influência após encontros com empresário chinês, saída ocorre a menos de dois meses das eleições

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Congresso peruano aprovou moção de censura com 75 votos favoráveis, decisão marca a oitava troca de comando em quase uma década, próximos passos dependem da escolha de novo interino

O Congresso do Peru votou nesta terça-feira e destituiu o presidente interino José Jerí, depois de quatro meses no cargo e a menos de dois meses das eleições gerais.

A acusação contra ele, segundo apuração, é de tráfico de influência, por encontros fora da agenda oficial com um empresário chinês, fato que motivou a moção de censura apresentada ao Legislativo.

O voto da Câmara terminou com apoio da maioria, e o Legislativo agora terá de indicar um novo presidente interino para completar o atual mandato até a posse do eleito, marcada para 12 de abril, conforme informação divulgada pela CNN.

Como ocorreu a votação e as acusações

A moção de censura precisava de 66 votos entre os 130 parlamentares, ou da maioria simples dos presentes se a sessão tivesse quórum menor.

A moção desta terça-feira recebeu 75 votos favoráveis, 24 contrários e três abstenções, de acordo com a apuração divulgada pela imprensa.

A defesa de Jerí sustentou que ele deveria ter passado por um processo de impeachment, que exigiria uma supermaioria de 87 votos, mas afirmou que o então presidente interino respeitaria a decisão do Congresso.

Antecedentes e contexto de instabilidade

José Jerí havia assumido interinamente em outubro do ano passado, no lugar de Dina Boluarte, que foi deposta pelo Congresso naquele mês por “incapacidade moral” de lidar com a crise de segurança pública.

O país enfrenta grande volatilidade política desde 2016, e a decisão desta terça-feira é apontada como a oitava mudança presidencial em quase uma década de instabilidade iniciada após as eleições de 2016.

Nos governos recentes, destacam-se crises como a renúncia de Pedro Paulo Kuczynski em 2018, o impeachment de Martín Vizcarra em 2020, a passagem curta de Manuel Merino, e o governo de Francisco Sagasti, que completou o mandato até a transição para Pedro Castillo, que tentou um autogolpe em 2022 e foi destituído e preso.

Consequências imediatas e o calendário eleitoral

Com a destituição, cabe agora ao Legislativo escolher o próximo presidente interino, que ficará no cargo até a posse do vencedor das eleições marcadas para abril.

O prazo e o processo de escolha no Congresso podem influenciar a estabilidade pré-eleitoral, em um momento em que faltam poucas semanas para a votação, e a cena política peruana segue com alta tensão e incerteza.

Repercussões e sinais para o futuro

Analistas e atores políticos acompanham as movimentações no Congresso, e a nova troca no Palácio do Governo tende a alimentar debates sobre reformas institucionais e controle de corrupção.

O histórico recente, com ex-presidentes e familiares envolvidos em processos e detenções, contribui para a percepção de crise prolongada no Peru, e a escolha do próximo interino será observada por eleitores e mercados.

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