Vice-presidente relaciona avanços tecnológicos à redução da jornada, aponta necessidade de debate aprofundado sobre 6×1 e enfrenta pedido da indústria para adiar a discussão
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou hoje na Fiesp que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial e que a tecnologia tem papel central nesse movimento.
Segundo Alckmin, mecanização, automação e o uso de inteligência artificial aumentam a produtividade e modificam a organização do trabalho, o que torna urgente um debate responsável sobre mudanças na lei.
O encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo também registrou críticas da indústria, que pediu adiamento do tema para 2027, conforme informação divulgada pelo Estadão Conteúdo.
O que disse Alckmin
Durante a reunião na Fiesp, Alckmin citou a tecnologia como motor da mudança e destacou que o tema precisa ser analisado com calma. Ele afirmou, com ênfase na tendência, “Há uma tendência mundial de você ter uma redução do trabalho, Aliás, isso já vem acontecendo”.
Ao justificar a postura do governo em aprofundar o debate, Alckmin disse, “É um debate que não deve se fazer correria, deve aprofundar o debate, porque você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo, Mas é uma tendência”. A fala reforça a ideia de que a agenda será tratada sem pressa.
Reação da indústria e custos apontados
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pediu o adiamento da discussão para 2027, argumentando que debater o fim da escala 6×1 em 2026, ano eleitoral, é inadequado. Skaf declarou, “A gente precisa que essa discussão vá para 2027, Ano eleitoral, as emoções, os sentimentos, as motivações, muitas vezes se confundem com os interesses do país”.
A Confederação Nacional da Indústria, CNI, é contrária à redução da jornada de 44 para 40 horas semanais com fim da escala 6X1, apontando impacto no custo da folha salarial das empresas, estimado entre R$ 178,2 a R$ 267,2 bilhões por ano, segundo levantamento da entidade.
Próximos passos e implicações
O governo defende aprofundar as discussões sobre a redução da jornada sem pressa, considerando diferenças entre ramos e tamanhos de empresas. A proposta envolve analisar efeitos sobre produtividade, custo e arranjos de trabalho, incluindo a escala 6×1.
Na prática, a agenda deverá passar por consultas com setores produtivos, análise técnica e debates públicos, antes de qualquer proposta legislativa. Enquanto isso, a indústria reclama de pressa e pede que a questão seja postergada para depois do calendário eleitoral.
Contexto e prioridade política
A fala de Alckmin na Fiesp reforça que a redução da jornada entrou na agenda como um tema ligado a transformações tecnológicas e sociais. O desenrolar das conversas nos próximos meses deve definir se haverá um consenso técnico e político para avançar em mudanças na legislação trabalhista.