Affonso Nina, da Brasscom, diz que a caducidade da MP e a demora do Senado geram incerteza, elevam custos e reduzem a competitividade do Brasil na atração de data centers
O atraso na aprovação do Redata e dos benefícios para data centers aumenta a incerteza para investidores e pode fazer projetos migrarem para outros países.
Empresas do setor alertam que a falta de clareza sobre incentivos federais e estaduais encarece instalação e expansão de unidades de processamento de dados no Brasil.
Conforme informação divulgada pelo Canal UOL, no programa Mercado Aberto.
O que é o Redata e por que ele interessa
O Redata, Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, prevê benefícios fiscais, como a ausência de cobrança de impostos federais, para estimular a instalação e ampliação de data centers no país.
Segundo a Brasscom, a proposta é parte de uma estratégia maior de desenvolvimento digital, que pretendia antecipar efeitos de mudanças da reforma tributária previstas apenas para 2027.
Dados que mostram dependência externa
Ao explicar o risco para a cadeia de processamento de dados, Affonso Nina citou números do Banco Central, e ressaltou, “O Brasil hoje tem uma infraestrutura em desenvolvimento de data centers, mas que ainda é pequena em relação às nossas necessidades. Isso é demonstrado por um número do Banco Central que mostra que o nosso saldo da balança comercial de importação de serviços de processamento de tecnologia passou, desde 2021 para 2025, de US$ 3 bilhões de déficit para quase US$ 8 bilhões de déficit no ano passado. Ou seja, a gente tem importado cada vez mais esses serviços de processamento.Affonso Nina”
O aumento do déficit indica que, sem incentivos, o país continuará repassando receitas e empregos para provedores estrangeiros de processamento.
Impacto nos custos e competitividade
Para a Brasscom, um dos principais obstáculos é a carga tributária sobre equipamentos, que encarece a construção de data centers no Brasil.
Na avaliação do executivo, “O custo, o capital investido para um data center, está entre 20% a 30% mais caro do que países que competem com a gente. O motivo disso é a carga tributária que existe sobre esses equipamentos, que gira na ordem de 30% a 36%, enquanto outros países têm cargas tributárias entre 5% e 10%.Affonso Nina”
Além disso, a entidade criticou o aumento recente das alíquotas de importação sobre equipamentos, um movimento que, segundo a Brasscom, vai na contramão do objetivo do regime.
Affonso Nina afirmou, “Houve recentemente um aumento das alíquotas de importação sobre os equipamentos para os data centers, e a gente está justamente pedindo ao governo que esse aumento não aconteça. Esse custo a mais que foi imposto agora sobre equipamentos importados acaba indo na contramão do que o próprio Redata coloca.Affonso Nina”
Estimativa de investimentos e o prazo para decisão
A Brasscom projeta que, apenas em data centers, os investimentos podem variar muito conforme a rapidez do país em capturar fatia do processamento global.
Conforme a entidade, “Do ponto de vista de investimentos apenas nos data centers, a gente fala até 2030 em alguma coisa na ordem entre US$ 50 e US$ 100 bilhões de dólares. Quanto mais tempo vai passando, mais a gente está perdendo dessa oportunidade. Projetos que poderiam ter vindo para o Brasil estão indo para outros países.Affonso Nina”
O executivo também comentou a negociação entre governo e Congresso, dizendo que houve a opção de transformar a medida provisória em projeto de lei e deixar a MP caducar, e que “Havia uma expectativa de que o Senado aprovasse isso ontem, mas acabou não acontecendo. O projeto de lei continua tramitando, ele pode ser aprovado.Affonso Nina”
A Brasscom acompanha ainda discussão técnica ligada a prazos da lei orçamentária, e cita 31 de março como um limite relevante para reduzir incertezas e competir por novos empreendimentos.
Em síntese, para o setor a aprovação de regras claras sobre benefícios para data centers é decisiva para reduzir custos, atrair investimentos na ordem de bilhões de dólares e evitar que o Brasil perca espaço no mapa global de infraestrutura digital.