No balanço, o prejuízo do Banco Central foi motivado pela queda do dólar de 11,14%, com ativos de R$ 4,97 trilhões e cobertura inicial pela reserva de resultados
O Banco Central sob a presidência de Gabriel Galípolo registrou um prejuízo de R$ 119,97 bilhões em 2025, impacto explicado principalmente pela valorização do real frente ao dólar.
O rombo foi integralmente coberto pela reserva de resultados da instituição, evitando impacto direto imediato nas contas públicas, e o saldo da reserva segue em R$ 122,82 bilhões.
As demonstrações financeiras foram aprovadas nesta quinta, 26, pelo Conselho Monetário Nacional, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Causas e detalhes do resultado
O desempenho negativo foi fortemente influenciado pela queda de 11,14% do dólar no período, movimento oposto ao verificado em 2024, quando houve valorização de 27,91%.
Como grande parte dos ativos do Banco Central está em moeda estrangeira, essas variações têm impacto direto no resultado final.
Segundo o balanço, as operações com reservas internacionais e derivativos cambiais geraram perdas de R$ 150,26 bilhões, parcialmente compensadas por ganhos de R$ 30,29 bilhões em outras operações, principalmente em moeda local.
Aprovação e composição do colegiado
As demonstrações financeiras foram aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, composto pelos ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Em nota, a autoridade monetária reforçou que as operações visam os objetivos institucionais e não a obtenção de lucro, explicando a oscilação entre anos.
O BC afirmou, textual e integralmente, “É importante ressaltar que todas as operações que o BC realiza visam o alcance dos seus objetivos institucionais e não a obtenção de lucro. Dessa forma, a apuração de resultados positivos ou negativos decorrem das condições gerais da economia nacional e internacional e da necessidade de atuação do BC junto ao sistema financeiro para o cumprimento da sua missão“.
Comparação com 2024 e implicações fiscais
O prejuízo de 2025 contrasta com 2024, sob a gestão de Roberto Campos Neto, quando o Banco Central registrou lucro de R$ 270,94 bilhões.
Desse total de 2024, R$ 242,79 bilhões foram destinados à reserva de resultados e R$ 28,16 bilhões foram transferidos ao Tesouro Nacional, reforçando o caixa do governo.
Segundo a autoridade monetária, quando há lucro parte dos recursos vai para o Tesouro, já em caso de prejuízo o resultado é coberto inicialmente pelas reservas internas, podendo exigir apoio do Tesouro caso necessário.
Composição do balanço e perspectiva
O balanço aponta que, no total, os ativos do Banco Central somaram R$ 4,97 trilhões, sendo R$ 2,09 trilhões em moedas estrangeiras e R$ 2,88 trilhões em ativos domésticos.
O BC também ressaltou, na linguagem original, que “Em razão da composição do seu balanço patrimonial, em que parte relevante dos seus ativos são constituídos em moedas estrangeiras, o resultado do BC é fortemente impactado pelas oscilações nas taxas de câmbio“.
Mesmo após a cobertura do prejuízo pela reserva, o saldo de R$ 122,82 bilhões mantém um colchão financeiro para absorver perdas futuras sem impacto imediato sobre o Tesouro.