Prévia da inflação, IPCA-15, acumula 1,04% no ano e 4,10% em 12 meses, educação avança 5,20% e transportes 1,72%, acima das estimativas do mercado
A prévia da inflação oficial do Brasil, o IPCA-15, registrou alta de 0,84% em fevereiro, nivel que superou as projeções mais altas do mercado e ficou acima dos 0,20% verificados em janeiro.
O resultado pressionou a leitura de curto prazo sobre preços, por causa especialmente do reajuste das mensalidades e do aumento de tarifas e passagens, itens que pesam no bolso das famílias.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que, no acumulado de 2024, o IPCA-15 soma alta de 1,04%, e em 12 meses o indicador acumula 4,10%, abaixo dos 4,50% dos 12 meses imediatamente anteriores, conforme informação divulgada pelo IBGE.
Educação foi o maior impacto do mês
O principal impulso veio do grupo Educação, que subiu 5,20% e respondeu por 0,32 ponto percentual do índice geral. O aumento é típico do início do ano letivo, com reajustes em mensalidades de escolas e cursos.
Dentro do grupo, os cursos regulares avançaram 6,18% e tiveram contribuição de 0,28 ponto percentual. As maiores altas foram no ensino médio, 8,19%, no ensino fundamental, 8,07%, e na pré-escola, 7,49%, pressionando as famílias com estudantes.
Transportes e combustível seguram alta significativa
O grupo Transportes subiu 1,72% e teve impacto de 0,35 ponto percentual no IPCA-15. O item que mais pesou foram as passagens aéreas, com aumento de 11,64%.
Nos combustíveis, a alta foi de 1,38%, com etanol a 2,51%, gasolina a 1,30% e óleo diesel a 0,44%, enquanto o gás veicular recuou 1,06%. O ônibus urbano avançou 7,52%, após reajustes em 6 das 11 áreas pesquisadas, e o metrô registrou alta de 2,22%.
Alimentação, saúde e habitação, variações mistas
O grupo Alimentação e Bebidas subiu de forma mais moderada, 0,20%, contribuindo com 0,04 ponto percentual. A alimentação no domicílio subiu 0,09%, abaixo do resultado de janeiro, 0,21%, e a alimentação fora do domicílio avançou 0,46%, com refeição a 0,62% e lanche a 0,28%.
Entre os alimentos, o tomate disparou 10,09%, as carnes subiram 0,76%, enquanto o arroz caiu 2,47%, o frango em pedaços recuou 1,55% e as frutas tiveram queda de 1,33%.
No grupo Saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,67%, com impacto de 0,09 ponto percentual. Os principais aumentos ocorreram nos artigos de higiene pessoal, 0,91%, e nos planos de saúde, 0,49%.
Em Habitação, a alta foi de 0,06% depois de recuo de 0,26% em janeiro. A taxa de água e esgoto subiu 1,97%, o aluguel residencial avançou 0,32%, e a energia elétrica residencial caiu 1,37%, beneficiada pela bandeira tarifária verde, sem custo adicional ao consumidor.
Reação do mercado e implicações
O resultado ficou acima até mesmo da projeção mais elevada do mercado financeiro. Segundo a agência Bloomberg, a mediana das estimativas era de 0,57%, com intervalo entre 0,45% e 0,65%, o que significa que o IPCA-15 superou o teto das expectativas.
Para famílias, o aumento das mensalidades e das passagens tende a pressionar o orçamento no curto prazo, enquanto a leitura mais ampla, com 12 meses em 4,10%, ainda indica desaceleração frente ao patamar anterior, 4,50%, mas mantém atenção sobre serviços e transporte.
Analistas acompanham agora o efeito desses reajustes nos índices finais do mês e nas decisões de política monetária, porque alta de preços em educação e transporte pode ter impacto persistente na inflação de serviços.