Haddad sinaliza abertura para discutir jornada de trabalho, destacando impacto da IA e a necessidade de uma economia mais humana
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que existe uma “simpatia” dentro do governo para debater a redução da jornada de trabalho. Embora ainda não haja uma definição oficial sobre transformar o tema em bandeira de campanha para as eleições de 2026, a discussão parece ganhar força.
A possibilidade de o governo Lula adotar a pauta da jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1, ganha contornos de inevitabilidade. Haddad avalia que a discussão sobre a carga horária é uma tendência mundial, impulsionada significativamente pelas mudanças tecnológicas.
Conforme informação divulgada pelo g1, o ministro destacou que a automação, a robotização e a inteligência artificial estão colocando a questão do bem-estar dos trabalhadores em pauta. Para Haddad, o princípio fundamental deve ser humanista: “A economia deveria servir as pessoas e não se servir das pessoas”.
A inteligência artificial como motor do debate
Fernando Haddad ressaltou que o avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias está colocando em xeque modelos tradicionais de trabalho. Essa transformação tecnológica abre espaço para repensar a forma como o tempo de trabalho é distribuído e como isso afeta a qualidade de vida.
“Automação, robotização, inteligência artificial, tudo isso está colocando na ordem do dia a questão do bem-estar”, analisou o ministro. Ele acredita que esses avanços tecnológicos podem ser um catalisador para a discussão sobre a redução da jornada de trabalho.
Debate global e movimentos contrários
Apesar da “simpatia” pela discussão sobre a redução da jornada de trabalho, Haddad alertou que nem todos os movimentos no cenário internacional caminham na mesma direção. Ele mencionou relatos sobre propostas em outros países para aumentar a carga horária, citando um exemplo da Argentina.
“Eu vi relatos de que há propostas, por exemplo, do governo da Argentina de aumentar a jornada de trabalho, se eu não estou enganado, para 60 horas semanais”, disse o ministro. Isso demonstra que o debate sobre a jornada de trabalho é complexo e multifacetado em escala global.
Expectativas para as eleições de 2026
O ministro da Fazenda considera que a discussão sobre a jornada de trabalho é inevitável e deve pautar o debate eleitoral em 2026. Ele não previu as decisões específicas dos candidatos, mas afirmou que o tema “vai ser debatido ano que vem”.
A expectativa é que a pauta da jornada de trabalho, assim como outras questões sociais e econômicas, ganhe destaque durante o período eleitoral, refletindo as preocupações da sociedade com o bem-estar e a qualidade de vida no ambiente de trabalho.