Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF, Jair Bolsonaro, mesmo em regime fechado e inelegível, mantém uma influência crucial na corrida presidencial de 2026. Sua figura, apesar das restrições, continua a pautar os movimentos da direita e centro, com políticos disputando seu apoio para ganhar competitividade nas urnas.
Apesar da condenação e do cumprimento da pena definitiva imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue como um personagem central na política brasileira. Sua influência se estende mesmo com a inelegibilidade e o afastamento das redes sociais, mantendo-se forte nas pesquisas e no centro das decisões estratégicas da direita.
A força de Bolsonaro reside na combinação de seu capital político acumulado e na fragmentação do campo conservador. Essa dinâmica o posiciona como o principal “fiador” de qualquer candidatura que almeje ir além do primeiro turno nas eleições de 2026. A expectativa é de que um gesto ou palavra do ex-presidente possa definir o cenário eleitoral.
Conforme informações divulgadas, Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político, mas essa restrição foi ampliada até 2060 após a condenação por tentativa de golpe, com trânsito em julgado. Essa situação jurídica, paradoxalmente, pode intensificar sua influência entre seus seguidores mais fiéis.
Bolsonaro como Polo de Referência Política
Leandro Gabiati, da consultoria política Dominium, compara Bolsonaro a outros líderes com forte apelo popular, como Lula em seu tempo. Ele explica que o carisma e uma trajetória política longa são elementos cruciais para consolidar essa força, que transcende a situação jurídica atual do ex-presidente. O banimento imposto pelo Judiciário, segundo Gabiati, acaba por reforçar essa influência entre os seguidores.
O analista avalia que qualquer candidato da direita que deseje ser competitivo em 2026 precisa negociar com Bolsonaro. Um apoio explícito do ex-presidente pode garantir uma base inicial de 20% a 25% dos votos no primeiro turno, praticamente assegurando uma vaga no segundo turno. Essa transferência de apoio, ou a falta dela, pode ser decisiva.
Tarcísio de Freitas: O Epicentro das Expectativas
Nesse cenário, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), emerge como o principal foco de atenção para a sucessão presidencial. Sua estratégia envolve a construção silenciosa de alianças e uma gestão cuidadosa para evitar desgastes prematuros, aguardando o momento certo para se posicionar.
O encontro de Tarcísio com Bolsonaro, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes e posteriormente cancelado devido à prisão preventiva do ex-presidente, gerava grandes expectativas. Partidos como o PSD e até mesmo o PT observam atentamente os desdobramentos, cientes de que um sinal entre os dois pode alterar os cálculos eleitorais.
A recusa de Tarcísio em assumir publicamente uma candidatura majoritária é vista não como indecisão, mas como uma tática para acumular força. Ele busca uma sustentação partidária sólida, uma base estadual robusta e alianças costuradas com paciência, em um ambiente político nacional instável.
A Resistência Familiar e a Base Política
A dinâmica da direita para 2026 também é influenciada por movimentações internas da família Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, expressou críticas à possível candidatura de Tarcísio, chamando-a de fruto do “sistema”. Ele mantém seu próprio nome como opção ou defende a candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro.
O cientista político Ismael Almeida destaca um ponto crucial: o comportamento da base política ligada a Bolsonaro no Congresso e nos estados. Muitos parlamentares que devem sua projeção ao ex-presidente têm adotado uma postura de distanciamento, seja por conveniência, medo de desgaste ou instinto de sobrevivência. Esse movimento pode prejudicar aqueles que se beneficiam do “símbolo” que Bolsonaro ainda representa.
Almeida ressalta que o eleitor fiel a Bolsonaro, atento às demonstrações de lealdade, será um importante agente de cobrança. “Quem apostar em desembarque silencioso pode pagar caro”, adverte o especialista.
Indulto a Bolsonaro como Condição para Apoio em 2026
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil, declarou que qualquer candidato à presidência em 2026 só receberá apoio se se comprometer com o indulto a Bolsonaro e aos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2023. “O 1º critério – absolutamente excludente! – do nosso apoio a presidente em 26 é se comprometer a conceder indulto e perdão ao presidente Bolsonaro, extensivo aos que participaram das depredações do 8 de janeiro”, afirmou Nogueira.
A oposição planeja aprovar um projeto de lei para conceder anistia ao ex-presidente e outros envolvidos. Enquanto alguns defendem uma anistia ampla e irrestrita, outros consideram mais viável um projeto de lei que prevê a redução das penas, buscando maior chance de aprovação no Congresso Nacional.